domingo, 11 de julho de 2010

Cotia/Estiva - O triste fim de uma grande companheira

Buenas, crianças.
Acho que boa parte de meus amigos já sabem do triste fim da viagem que faríamos, John, Claudio SpaceTrader e eu, até Estiva/MG.
Para os que não sabem e para que fique registrado, principalmente pra mim, resolvi escrever esse relato.

Vários contratempos aconteceram durante o planejamento, mas mantivemo-nos animados e esperançoso que faríamos esse pedal no feriado do dia 09/07.
Infelizmente o ultimo incidente tirou-me mais do que simplesmente o prazer de pedalar com meus bons amigos: tirou-me a companheira fiel de cicloturismo: tirou-me a City Tour.
Vamos ao relato!



















Esse pedal para Estiva/MG estava marcado pro dia 25/06, mas um probleminha de saúde (uma fuga de fluídos) com o Mr. John o tirou de combate, então resolvemos adiar a viagem para o dia 09/07, um feriadão.

Conforme os dias da viagem iam se aproximando, iamos revendo os planos, fazendo projeções e treinando para que pudessemos fazer o percurso num único dia, mas uma semana antes, o nosso amigo e anfitrião, Claudio SpaceTrader também passou por um problema de saúde (outra fuga de fluídos).

Claudio não queria postergar a viagem mais uma vez, então acabou que fizemos o seguinte arranjo: iriámos John e eu até Joanópolis (150km de Cotia) na sexta-feira e no sábado pela manhã ele nos acompanharia para os 100km finais, até Estiva.

Tudo arranjado, adrenalina a mil, felizes por não ter adiado o ciclotour, John e eu nos encontramos as 5 da manhã no "Coliseu" (como carinhosamente chamamos o Ginásio de Esportes de Cotia).

Lanternas e faróis fixados, gps sincronizado, sorriso no rosto, saímos perto de 5:20. O percurso consistiria em pegarmos o RodoAnel até Caieiras, seguir até Mairiporã, pegar a Estrada de Santa Inês, passar por Nazaré Paulista, talvez passar por Piracaia, Bom Jesus dos Perdões e finalmente Joanópolis.

Taí o John e eu, na Raposo Tavares.











































Logo alcançamos o RodoAnel e fomos pedalando cuidadosamente, porém descontraídos, tagarelando sobre viagens vindouras, até que alcançamos o acesso à Rod. Castello Branco, sentido Capital.

Cientes de que se trataria de uma travessia perigosa, resolvemos descer até onde se inicia o guardrail que divide as duas pistas.
Demorou um tempinho até que a pista ficasse livre e segura pra atravessarmos. Eu comecei a atravessar, quando notamos um carro na quarta faixa do RodoAnel, mas como ele estava lá, continuamos a travessia.
Eis que, ouvimos o som de pneus passando sobre os "olhos de gato" que separam as pistas. Meu reflexo foi o de tirar a bike pra direita, dando espaço suficiente para que o motorista distraído passasse na faixa à minha frente. O John, como estava mais atras, avisou sobre o carro.
O estranho é que vi claramente que o carro não fez nenhum movimento para a esquerda, então percebi que ele bateria em cheio. Pois foi o que aconteceu.

O carro, que fez essa "manobra" em alta velocidade, não freiou, tampouco desviou sua trajetória. Bateu em cheio no meu garfo, fazendo-me girar e cair no chão, meio de lado, ralando um pouco a perna direita, na altura do joelho, além de um corte, um pouco acima da panturrilha, na parte externa da perna esquerda.

Ainda assustado com a "porrada" levantei rapidamente e olhei em volta, para ver se vinha algum outro carro e olhei pro John, que estava bem e já tinha ido pegar a bike, ou melhor, o que sobrou dela.
Fiquei um tempo olhando em direção ao pedágio, pensando ver o carro estacionado, mas o "salafrário" havia fugido, sem prestar qualquer socorro.

Levantei-me e fui rapidamente para o meio de um gramadinho entre as pistas e sentei-me, desolado, olhando o que aconteceu com a bike, comigo e com a viagem.

Olha aí uma das fotos tiradas pelo John do estado em que a bike ficou:



















John, com um olhar ainda incrédulo, perguntou-me se estava bem, se tinha quebrado algo. Eu respondi que sentia-me bem, inteiro, vivo...

Olhei para frente e vi, entre os pedaços das lanterninhas/farois, um carro passar por cima do meu Nokia novinho, pra "liquidar a fatura" dos prejuízos materiais.

Poucos minutos depois, encosta uma viatura de resgate da concessionária da rodovia, que prestou os Primeiros Socorros. Dentro da viatura, não vi o que acontecia lá fora, mas percebi que o John estava conversando com alguém.

Durante o atendimento, um dos socorristas fez, entre outras verificações, a medição da minha Frequência Cardíaca e, brincando perguntou se eu realmente sofri um acidente. Com estranhamento olhei pra ele, enquanto ele dizia que minha FC estava em 72bpm.
Um pouco de risadas, alguns "causos" fatais contados, saí da viatura, com o dia já claro. Olhei atras da viatura, havia um guincho e na frente uma viatura da Polícia Rodoviário.

Conversamos mais um pouco e o motorista do guincho (também da concessionária) ofereceu-nos uma carona até a Raposo Tavares, para que dali seguíssemos para casa.

Em um dado momento, senti que podia deixar por um minutinho as pessoas que estavam conversando, sentei-me na grama, um pouco afastado, e comecei a agradecer o fato de não ter morrido, poupando minhas filhas de sofrer e poupado o John de ver uma cena horrível, embora a cena que ele vira não lhe tenha parecido nem um pouco agradável.
Confesso que chorei...sentir-me vivo e bem, sem quaisquer sequelas, sem maiores prejuízos me fez pensar em tudo que amo e respeito e inevitavelmente chorei.

Recuperado emocionalmente, levantei-me e fui ao encontro do pessoal, pois todos já haviam feito sua parte naquele acidente e precisavam ir embora.

Os primeiros a deixar o local foram justamente os socorristas. Despedimo-nos, e logo começamos a arrumar as bikes em cima do guincho.


















Logo o Policial Rodoviário também se foi e seguimos até o Posto BR na Granja Vianna, na Padaria Dona Deola (em frente a AC Nielsen).

Dalí, chamei um taxi pra remover os restos da minha fiel companheira, enquanto o John se preparava, ainda abalado, para seguir até sua casa, pedalando.

Rapidinho o taxi chegou e me deixou em casa. Entrei bastante desolado, chateado pela situação, pelo prejuízo e pela completa falta de respeito que determinados motoristas tem para com a vida humana.

Com todos dormindo, fiquei quietinho, emocionando-me mais uma vez, enquanto pensava que eu poderia não estar mais perto da minha família, daqueles que eu amo e cuido com carinho.
Pensei também em todos os que me rodeiam, pessoas que me são caras e me fazer ser quem eu sou.

Depois que todos acordaram, dei um grande abraço nas minha família e contei o ocorrido.
Feliz por estar em casa, comecei a desmontar a minha companheira...afinal de contas, só o quadro "morreu".
Olha aí, a City Tour em casa, com as fraturas em detalhes.




































Depois de ter vivido esse 09/07/2010 e ter vivido pra contar a história e ter sentido a solidariedade e apreço de todos os que ficaram sabendo e me ligaram, gostaria para os meus amigos e para os fieis companheiros de pedal: Obrigado!

Obrigado aos que sempre estão ao redor, dividindo um pouco do seu tempo com os amigos de pedal, seja treinando, seja numa viagem ou num passeio.

Obrigado aos que ficaram sabendo, ciclistas ou não, que ligaram pra deixar uma palavra de solidariedade.

Obrigado aos que não estão sempre perto, mas mesmo assim sempre estão emanando pensamentos positivos.

Enfim...obrigado a todos, todos mesmo! Vocês são um dos ingredientes que fazem com que eu acorde na madruga, enfrentando frio, chuva, vento e cansaço, para fazer o que me é realmente muito prazeroso: Pedalar entre Amigos.

Ah, não pensei vocês que eu vou desistir do cicloturismo! Assim que sobrar uma grana, eu monto uma bike pra substituir a City Tour, a minha grande companheira, e volto para as estradas, viajando por aí, sozinho ou na companhia de meus bons amigos!

Um forte abraço e até o próximo treino, viagem, passeio, enfim...pedal!

: )
See ya!
FabioTux

4 comentários:

Paulistana disse...

Tux!

Não tenho palavras pra expressar meu alívio de saber que vc está bem! Tb sofri um acidente (batida de carro plus pseudo atropelamento) e sei exatamente o que vc está sentindo... As perdas materias são um saco, mas essas a gente trabalha e dá um jeito de recuperar, né?

Tenho certeza que em breve vc estrá girando por aí, curtindo uma nova companheirinha!

beijos e até o próximo pedal com peixe e cerveja!
Maya

Claudio SpaceT disse...

Deus também é ciclista e estava ao teu lado!!

Desanima não, Estiva nos espera ainda este ano!!!

Abs

Claudio
SpaceT

EDUARDO disse...

Cara, fico aliviado em saber que esta bem...a branquinha foi pt mas vc esta bem, é o que importa.

Deus também é ciclista e estava ao teu lado!!

Desanima não...(2)


Edu Almeida

André FUB disse...

Fábio,

Ainda bem que vc está inteiro.

Mas agora é só juntar a grama pro Igor fazer a arte dele...


Abraço