quarta-feira, 15 de setembro de 2010

São Paulo - Campos - São Paulo: Quarto Dia

Esse é um dos relatos que terão pouquíssimas fotos, mas com certeza, ficará gravado pra sempre em nossas mentes e corações.
Ao final vocês entenderão....

Esse relato começa na noite do terceiro dia. Noite em que resolvemos jantar  e tomar umas cervejinhas lá mesmo no Hostel.
Rodamos um bocado na cidade, procurando cerveja gelada, mas acabamos comprando cerveja quente e gelo.
Só essa estória daria um relato, mas deixa pra lá! hehehe!

Aproveitamos a noite pra bagunçar um pouco, já que a manhã do dia 7 de setembro seria difícil: voltaríamos pra SP sob chuva.
Mas, esquentar pra que? Como dizem no meio do cicloturismo: Só existem 2 tipos de cicloturista: Os que pegarm chuva na viagem e os que ainda vão pegar. Eu já fui batizado, mas os pedaleiros de primeira viagem ainda não.

































Depois de algumas horas, as duas garotas (Carla e Maya) recolheram-se aos seus aposentos, enquanto os 3 "sem naipe" ficaram de papo c/ o Casal Cunha.

Em um dado momento, ficou muito frio, muito tarde e muito hilário! Resolvemos também nos recolher, senão o bicho ia pegar pro nosso lado! Tava uma farra só!

No dia seguinte, aquela coisa de acordar (não muito) cedo e arrumar as tralhas.
Carlinha iria pra casa de sua irmã até que chegássemos em SP, enquando Einstein, Elcio, Maya e eu voltaríamos pedalando.

O dia estava cinza, confirmando o que a previsão do tempo dissera: chuva, chuva e mais chuva!

Tudo pronto e arrumado, hora das despedidas e das fotos da saída:
































Olha a trupe toda! Só faltou a Bebel (que estava tirando a foto).
















Aqui sem o A.Cunha, o fotógrafo da vez.
















Pé (ou roda) na estrada! Hora de olhar pra trás e sentir muita saudade...não só do lugar, mas também da experiência que foi passar 4 dias com essa trupe.

Saudosismo posto de lado, começamos a descer a Serra Nova. A tensão ia aumentando conforme sentíamos os pingos de chuva, mas seguimos até um mirante (ainda no começo).

Einstein e Elcio chegaram primeiro...quando Maya e eu chegamos, olha só o que encontramo: Quatis.








































Carlinha logo se junto a gente pra ver os bichinhos e tirar mais fotos.

Voltamos a estrada e adivinha: A chuva chegou...Carlinha ainda estava por perto fez os ultimos registros da viagem:














A partir daqui não tiramos muitas fotos, pois o tempo não deu mais trégua.

Na decida da serra, alguns metros antes do túnel, acontece o primeiro de uma série grande série de furos.
Eu abri a série com um furo no pneu traseiro. Ainda bem que a Carlinha ainda estava por perto. Fiz a troca e enchi c/ a bomba de pé que estava no carro. Meus amigos não teriam a mesma sorte... :(

A galera ficou um pouco preocupada, mas logo que voltei pra estrada encontrei a Maya me esperando...esticamos e logo encontramos Einstein/Elcio.

Logo passamos pela posto da Polícia Rodoviária e chegamos a um posto de combustível. A galera tava precisando ir ao banheiro.
Pra descontrair, umas fotinhos dos 2 marmanjos brincando nos carrinhos de corrida de madeira, "a lá Flinstones":



































Logo que saímos dessa rápida parada, furo nº 2: Maya!

Esse martírio se repetiu por muitas vezes: Elcio, Einstein, Maya...hora o dianteiro, hora o traseiro.
Só eu escapei com um único furo.
Eu nunca tinha visto tantos furos assim...confesso que depois do 2º não me lembro mais a ordem dos furos!

Teve uma das paradas em que as bombas resolveram não colaborar: A minha estourou o bico de uma câmara, a do Elcio deu problema na trava, a do Einstein nos deixava com os braços doloridos de tanta força que tinhamos que fazer pra inflar...
Por sorte o Einstein tinha um adaptador schrader que salvou nossas vidas. Mesmo com a bomba avariada do Elcio, era possível inflar os pneus.

Com mais de 4 hrs que tinhamos saído de Campos, só tinhamos pedalado 2 efetivamente...
Essa média também se manteve ao longo do passeio.

Pedindo misericórdia à Deus, seguimos nesse "pedala um pouquinho, olha mais um furinho..." até que finalmente obtivemos a tão implorada misericórdia Divina...conseguimos chegar ao Frango Assado!

Confesso que não foi fácil chegar lá. Tinhamos programado chegar lá por volta das 13hrs, só chegamos lá as 16hrs, por conta d frio, chuva, vento-contra e furos.

De qualquer maneira, foi o lugar que decidimos parar pra comer e, mais importante que isso, remendar as câmaras de ar, pois não haviam mais câmaras intactas. Todas as que levamos foram furadas...

O lugar estava apinhado de gente...mas ao contrário do que imaginávamos, até que foi fácil conseguir uma mesa e fazer nossos pedidos.
















































Barriguinha cheia (com direito a Petit Gateau de sobremesa), fomos remendar as benditas câmaras.
Elcio, nosso "remendador" oficial ia fazendo os reparos, enquanto nós iamos avaliando as que seriam consertadas e as que seriam descartadas. Tinha câmara com 2 furos!

Feito isso, voltamos pra estrada. Já eram umas 17:30 e começamos a nos preocupar com a ausência de luz natural e a falta de lanternas. Só haviam 2: Uma na bike do Einstein e outra na bike da Maya (cedida pela Carlinha).

Depois da parada, apesar do problema da iluminação, seguimos em bom ritmo. Quando a noite caiu pra valer, começaram os furos de novo. Pensem em quão dificil era fazer trocas de câmara no escuro, com frio e chuva...
Mas apesar de toda a dificuldade, mantínhamos o espírito de companheirismo. Todo mundo ajudava nas trocas de todo mundo.
A gente começou a pedalar bem mais próximo uns dos outros, justamente pra termos mais segurança e olhar um pelo outro.

Essa parte da volta foi a mais importante. Apesar da situação toda parecer difícil, eu me sentia extremamente seguro e penso que todos se sentiram assim. Cuidamos uns dos outros como uma família!

Quando estavamos há uns 15 ou 20km pra chegar ao KM36 da Ayrton, a Carlinha reaparece! Ela iria nos esperar em um posto de combustíveis já saindo da rodovia pra passarmos por Itaquaquecetuba e chegarmos onde tudo começou: a casa do Elcio.

Saindo da rodovia, a coisa ficou um pouco tensa, pois já passava das 21hrs e, segundo o Elcio, aquela região era um pouco "barra pesada".

Em um dado momento, pegamos uma subida, onde algo pulou da bike do Einstein. Inicialmente achei que tivesse sido uma pedra lançada pelo pneu, mas depois ele percebeu que se tratava do sensor do Garmin.

Seguimos pedalando felizes, pois estavamos finalmente chegando...todo mundo sorrindo, mas com aquela ponta de saudade, já que 4 dias intensos de superação, força, amizade, companheirismo e muito bom-humor iriam acabar em alguns quilômetros.

Ao chegarmos na porta da casa do Elcio, fiquei eufórico! A felicidade em ter terminado a viagem com todo mundo bem, sãos e salvos, com seus limites vencidos, apesar de todas as dificuldades, me encheu de orgulho e satisfação!

A Carlinha chegou junto com a gente e pôde tirar a foto de todos nós, erguendo nossas bikes:













































Impossível não ficar feliz, mesmo com tanta dificuldade!

Quase 160km, 12 (sim..DOZE) trocas de câmara, chuva, frio, vento-contra e cansaço...sentimo-nos vencedores.

Gostaria de agradecer imensamente ao Elcio, Einstein, Carla e Maya pela excelente companhia, pelo apoio logístico e psicológico e principalmente pela amizade!

Obrigado, de coração! Como diria Tina Turner, "You're simply The Best..."

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