terça-feira, 28 de setembro de 2010

São Paulo/SP - Paraty/RJ - Parte 1

O relógio despertou as 5 da manhã, conforme programado. Eu enrolei uns minutos, pensando que o Einstein iria levantar primeiro, mas vi que não tinha jeito. 



O negócio era levantar e tomar uma ducha, enquanto o Cientista despertava.

Assim começou o dia 18/09.

Logo que tomei banho e me troquei, o Einstein saiu da cama e começou seu processo de arrumação.
Tomamos um rápido café da manhã e partimos pro que seria o primeiro de 4 dias de viagem.

Decidimos que o caminho que faríamos inicialmente seria pegar a Marginal Pinheiros, Cebolão, Marginal Tietê até a Ayrton Senna, com uma parada na casa do Elcio pra pegar a barraca de camping.

Tudo pronto! Hora de começar o pedal. Saímos as 6 da matina.

Paradinha pra fotinho inaugural do passeio. Primeiro o Einstein:


















Depois esse que vos escreve:


















Começamos a descer a rua, pra alcançar a Marginal Pinheiros. Nessa parte, tudo relativamente tranquilo. O negócio ficou feio depois que pegamos a Marginal Tietê.
Pedal tenso, muito tenso. A gente não se sentia confortável em canto algum. Fomos seguindo, com todo o cuidado possível e toda a indignação imaginável pela via.
Em um dado momento, o meu pneu traseiro furou, pouco depois de termos atravessado para a pista local, mais à direita.



















Câmara trocada, pneu inflado, hora de seguir, sempre cheios de tensão e cuidado. 
Essa sensação só nos deixou quando finalmente pegamos a Rod. dos Trabalhadores. Alí sim, sentimo-nos seguros, pois o acostamento é bom, não tem aquele monte de acessos e os carros não passam lambendo nossas pernas.

Olha só como ficamos felizes quando saímos daquele desespero:




































Seguimos num ritmo bom, sem problemas. O clima estava nublado, propício pra uma pedalada longa.
Quando chegamos perto do KM 20, em frente ao Posto Rodoviário, o Einstein tem a brilhante idéia de ligar pro Elcio, pra pedir que ele traga a barraca de camping até algum lugar da rodovia, ao invés de irmos até a casa dele, o que nos custaria um tempo absurdo.
Liguei pro Caríssimo, que prontamente se comprometeu a levar a barraca no KM 26. 


















A partir daí, fomos bem na maciota, pra dar tempo do Elcio chegar ao ponto de encontro. Ao chegarmos no KM 26, nos sentimos extremamente vulneráveis, pois perto da passarela há uma comunidade carente e já sabemos muito bem que, embora haja uma grande maioria de pessoas de bem, sempre tem uns "maus elementos". Liguei pro Elcio de novo e marcamos um novo ponto de encontro, pertinho do anterior.

Depois de uns 25min. de espera, eis que o Sr. Frielcio chega, pra nossa alegria!
Olha a cara do malandro que acabou de acordar:


















Além da barraca, ele também tirou fotos pra gente:


















Zarpamos, com um pequeno desconforto: a barraca não ficou bem em meu bagageiro. Eu ficava batendo a coxa na carga. 
Então, Einstein e eu combinamos que ele carregaria a barraca, assim que chegássemos ao famoso posto no KM 29.

Chegando no posto, que é parada obrigatória pra Motoqueiros, Cicloturistas e demais viajantes, remanejamos as bagagens e paramos pra comer.




































Depois de carregar nossas energias, voltamos à estrada, mas percebemos que o tempo estava ficando cada vez mais fechado.
Apesar disso, não desanimamos. Logo chegamos à rodovia que vai à Mogi das Cruzes. 
Nessa rodovia, não teve jeito, colocamos as nossas capas de chuva/conta-vento e seguimos até o posto onde eu assisti ao jogo Brasil x Portugal no jogo da Copa. 
As meninas que lá trabalham logo me reconheceram. Batemos um papo, enquanto tomávamos um cafezinho esperto. Sabíamos que a partir dalí a coisa ia ficar um pouquinho mais difícil.
Começamos a subir as ladeirinhas que nos levariam a Rodovia Dom Paulo Rolim Loureiro e logo começou a chuviscar.
Esse chuvisco acabou virando uma chuva fina e gelada. Quanto mais chegávamos perto da serra, pior ficava.
Conforme subíamos, o Einstein se impacientava com a distância que faltava pra chegar à descida da serra e com a friaca que fazia.

Finalmente a decida chegou, mas com ela uma forte neblina que nos tirou quase que toda a visibilidade e a segurança. 
Milagrosamente, um caminhão-tanque com problemas no freio estava à nossa frente, descendo numa velocidade chorada, menor que 15km/h.
Curiosamente, a placa do tal caminhão era CRY 9107.
Fomos na traseira desse caminhão o tempo todo. Foi ótimo, pois como a descida da serra não possui acostamento, não havia a menor possibilidade de acontecer qualquer acidente, estando devidamente protegidos pela baixa velocidade e o calor do caminhão.

Terminada a serra, chegamos ao trecho onde existe um retão de (penso eu) uns 10km de falso plano, onde conseguimos desenvolver uma boa velocidade.

Ao chegar ao posto rodoviário que serve de marco para os que vão pegar a rodovia sentido Bertioga e os que vão pegar o acesso à São Sebastião, pegamos o caminho que nos levaria à Boiçucanga. 

Nesse ponto, já estávamos com fome. Ficamos animadáços ao vislumbrar um McDonalds (tá bom...McDonalds e via saudável não andam na mesma via). Mas ao chegar ao restaurante, fomos "impedidos" de deixar as bikes junto à loja, pois essa possuía um bicicletário (inseguro, diga-se de passagem).
Depois de discutir c/ um funcionário e o gerente, resolvemos seguir sem nada consumir no restaurante do "Payaso Cabron" (Ska-P - McDollar...quem não conhece, deve ouvir!)

Antes de sair do Mc, perguntamos a um dos clientes se Boiçucanga ainda estava longe. Quando o homem disse que faltavam uns 35km, resolvemos que iríamos até Boraceia, já que era tarde e não queríamos montar a barraca no escuro.

Mandamos bala até Boracéia e encontramos um tal de "Camping Beira Mar".
Entramos pra ver a estrutura e não nos animamos muito. Mas face ao cansaço e a preocupação com o horário, entramos nesse mesmo.








































A estrutura é muito precária. O banheiro masculino estava infestado de mosquitos, era malcheiroso, mas o tal camping ficava de frente à uma padaria que nos serviu de posto de abastecimento.

Eis a barraca armada (com todo respeito):


















Depois de montar a barraca, fomos pro desafio de tomar banho. Mesmo com a estrutura precária, tomamos banho e caimos pra dentro da barraca.
Logo começou a chover e ficamos um bom tempo, ajeitando as coisas, decidindo o que comeríamos, etc. 
Assim que a chuva passou, eu fui à padaria, pra comprar pão frances, peito de peru/mussarela fatiada, agua, refri e algumas outras guloseimas, pois decidimos que seria ali mesmo que comeríamos.

Além dos comes/bebes, trouxe algo que nos ajudaria bastante (mas não resolveria) no problema do frio: jornais.
Forramos o chão com jornais e depois colocamos um lençol por cima, para garantir que não morreríamos de hipotermia.
Ajudou, mas não resolveu, é claro. O Einstein colocou praticamente todas as roupas que ele tinha disponível. Eu até que fiquei bem com uma blusa, o corta-vento e uma espécie de touca, cobrindo as orelhas.

Comemos, batemos um papo e logo caímos no sono. Não foi uma noite fácil. O frio e o desconforto de não ter levado um saco de dormir foram coisas complicadas de lidar.
Apesar dos pesares, dormimos um pouco pra continuar no dia seguinte: Boracéia/Ilha Bela.

Fim do Dia 1!

Os dados sobre o Dia 1:
Distancia São Paulo/Boracéia - 154,67km
Média - 20,9km/h
Velocidade Máxima: 52,9km/h
Tempo de pedal: 7:22'26"

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