terça-feira, 28 de setembro de 2010

São Paulo/SP - Paraty/RJ - Parte 2

Que noite dificil, mal dormida e friorenta.

A chuva nos deixou com muito frio, o chão extremamente desconfortável e as horas de sono foram insuficientes pra nos dar descanso.

Ainda assim, acordamos no outro dia com alguma esperança. Abriu um dia nublado, mas com um pouco de sol.
Olha as caras dos malandros, acordando de uma noite mal dormida:




































Enrolamos entre o café e a arrumação um bocado.
Fora que além de arrumar as bagagens e desmontar a barraca, ainda tivemos que lavar/lubrificar as bikes
pois a chuva do dia anterior as deixou em estado de calamidade.

Trocamos de roupa, limpamos as bikes, arrumamos as tralhas e finalmente desmontamos a barraca em ritmo tranquilo. Nada de pressa. Afinal, temos só 70km até Ilhabela, certo? Vai ser moleza!

Olha aí eu, limpando a barraca:


















Terminamos de montar tudo, colocar nas bikes e nos aprontar pra sair por volta das 10:30. Nos certificamos de sair do camping com a nossa bagagem protegida da chuva, já que o tempo ainda estava um tanto fechado, chuviscando por várias vezes ao longo do dia.

Antes de sair, uma fotinho pra marcar nossa saída:



















Saímos do tal camping infernal e fomos até a padaria em frente, pra tomar um cafezinho antes de continuar.
Afinal, será moleza! Não há razão pra pressa...são só 70km até Ilha Bela, certo?

É...mais ou menos. Esse dia reservava uma grande surpresa: esquecemos de conferir com mais cuidado a altimetria entre Boracéia e Ilha Bela e fomos surpreendidos pela linda e dificílima Serra de Maresias.

No começo, estávamos girando fácil, ritmo tranquilo, apesar do excesso de peso.
Olha a carinha de alegria do Einstein, puxando seu "caminhão":



















Também pudera: Olha só a paisagem...não há como fazer cara feia!


















Até que, finalmente chegaram as ladeiras. Sim, amigalhes e amigolhes...a coisa ficou complicada.
A gente começou a subir, já bem preocupado a primeira sequencia. E cada curva que fazíamos, a inclinação aumentava.
Einstein com um peso absurdo e eu, com um peso razoável, mas com relação de estrada, imprópria para aquele tipo de coisa.
Eu não podia perder o giro, então acabei tendo de fazer força e fui subindo na frente. Chegou um ponto onde as pernas tremiam, o coração vinha à goela, o pulmão queimava...parei e deitei no chão!
Aproveitei pra esperar o Einstein, que vinha logo atras...bem não tão logo assim...ele também parou num ponto da subida pra tomar fôlego. Voltou pra bike e subiu até onde eu estava:


















Quando me viu parado, deitado tirando essa foto, esboçou um esforço de continuar, mas foi vencido pela inclinação. Parou!

Conversamos um pouquinho e decidimos que não tinhamos que nos sacrificar, afinal aquilo não era um treino de montanha. Não nas condições de peso que estávamos.
Resolvemos empurrar:


















Olhamos pra tras pra ver o que havíamos vencido até aquele momento:


















Seguimos empurrando por um bom tempo. Na nossa conta, metade da serra, +/-.
Depois de vencida essa parte, voltamos a montar nossas magrelas, com intenção de não mais empurrar.
Tiramos umas fotos no topo, descemos e chegamos, depois de muitas lindas paisagens, à Maresias.

Lá, passamos por uma casa de carnes nobres, onde resolvemos parar pra comprar agua e perguntar a km até a balsa para Ilha Bela.
Fomos avisados que teríamos mais subidas e 30km de distância. Dentro da tal casa de carnes, havia um jovem senhor argentino, que perguntou pro Einstein se ele era seu "hermano". Trocaram algumas palavras e fomos pra fora, encher as caramanholas, comer um salgadinho pra prosseguir, mas percebemos que o tal cara entrou numa loja praticamente ao lado. Ao ver do que se tratava, vimos que era uma casa das deliciosas Empanadas Tucumanas.


















Olha eu aí, esperando a delícia (meio descabelado, como não poderia deixar de ser):


















Depois de experimentar uma deliciosa Empanada de Carne, com molhinho picante e tudo mais, batemos um papo com o pessoal da loja. Trata-se de uma família de Argentinos muito simpáticos, de sorriso fácil e boa conversa.

Hora de seguir em frente, fomos subindo mais um pouco e passamos por um dos lugares mais lindos da viagem.
Acho que essas duas fotos mostram bem a beleza do lugar. A foto que tirei do Einstein IMHO foi a mais legal de toda a viagem. Me senti um fotógrafo profissa. Mas também, com aquela paisagem, qualquer sacripanta (como esse que vos escreve) consegue tirar uma bela foto, não?





































Mais um bocado de belas paisagens e finalmente chegamos à balsa. Eu queria poder colocar todas as fotos aqui, mas mesmo assim não descreveria nem um pentelhésimo do que eram as paisagens.

Chegamos de demos sorte grande: a balsa estava pra sair. Embarcamos rapidamente:




































Depois de 15 minutos de travessia, chegamos à tal Ilha Bela. Realmente é uma beleza de lugar.
Fomos rapidamente pro camping que nosso caríssimo Waldson indicou.

Fomos recepcionados pela Alani, uma garota bastante tagarela e brincalhona.
Imaginem só: Ela ficou olhando pra nossa cara, com jeito que eu já sabia que ia "dar m$%#5": sairia alguma bobagem.

Ela ficou com aquela estória de "posso perguntar algo pra vocês?",  "melhor não...deixa pra lá...".
Já sacando o que viria, eu que sou um cara ligeiro e não ligo pra brincadeiras, logo soltei:
"Já sei o que você quer saber: Você quer saber se a gente é um Casal Gay, certo?"
Não preciso dizer que Einstein, Alani e eu caímos na risada. Ela ficou tentando se justificar e acabou sobrando pra mim o estereótipo.
Cai tanto na onda que resolvi tirar uma foto de carater duvidoso, só pra ilustrar a situação "engraçaralha":


















Perguntamos quanto custava a diária pra montarmos nossa pesadíssima barraca: 25 lelecos per capita. Como ia fazer frio, perguntamos se eles alugavam colchonetes: 5 lelecos per capita. Mas logo ela sugeriu algo que nos fez mudar os rumos da viagem: Ficar num trailler. Sairiam 30 lelecos per capita e teria uma série de benefícios, como energia elétrica pra carregar nossos gadgets, um varalzinho pra estender nossa roupa, duas camas grandes, etc e tal. Aceitamos na hora!

Fomos ver o tal trailler. Olha que negócio da China:






















































Tudo devidamente guardado no trailler, hora de conhecer e usar os vestiários/banheiros do Camping.
A estrutura desse camping é espetacular. Tudo bem asseado e organizado, show de bola.

Tomamos banho e lavamos as roupas molhadas/sujas do primeiro dia. Isso fez muita diferença pra gente, pois além de aliviar o peso, nos daria uma vantagem logística: não ter de carregar a roupa suja separadamente.


















Depois disso, jantinha! Eu me rendi à pizzaria que há dentro do camping. A pizza é boa, mas eu não sou muito fã, então comi pouco. Logo que jantamos, resolvi dar uma volta, comprar uma guloseimas e tal.
Passei na recepção pra me informar sobre os comércios e acabei ficando meia hora batendo papo.
Fui ao mercadinho, comprei as tais guloseimas e voltei pro Camping, dessa vez pra 2 horas de papo.
A Alani é tão tagarela quanto eu, então ficamos lá, contando "causos" do camping, do ciclismo e de tantas outras coisas.
Quando voltei pro trailler, Einstein já estava cochilando.
Batemos um papo e eu sugeri uma revolução: Despachar a barraca e os demais apetrechos para acampar via Correio.
Ele topou na hora. Fez uma pesquisa básica de quanto custaria o envio, enquanto eu voltei a falar c/ a Alani, afim de saber onde ficava o Correio.

Tendo decidido sobre o despacho do peso-extra e descoberto onde era o Correio, hora de dormir um pouco!

Fim do Dia 2!


Os dados sobre o Dia 2:
Distancia Boracéia/Ilha Bela - 69,11km
Média - 16,7km/h
Velocidade Máxima: 58,10km/h
Tempo de pedal: 4:07'36"

2 comentários:

Vinicius (vini-sv) disse...

Gostei muitos dos seguintes trechos:

"Nada de pressa. Afinal, temos só 70km até Ilhabela, certo? Vai ser moleza!" e "Afinal, será moleza! Não há razão pra pressa...são só 70km até Ilha Bela, certo?"...

Rsrs, seria se a partir de Camburi a Rio-Santos, não fosse a montanha russa que é, até o Centro de São Sebastião, com destaque para a maior de todas as subidas a "serra entre Boiçucanga e Maresias".

FabioTux® disse...

Realmente, Vini...seria moleza não fosse a dureza das "ladeirinhas" até São Sebastião.
O impressionante é que fui avisado por 2 amigos e acabei vacilando e não lembrando.
Olhamos o gráfico de altimetria na barraca, mas subestimamos os traços vermelhos, hehehe!

Valews!!!f