quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Volta Ciclística Manoel Torres - Sarapuí/Pilar do Sul

Dia 07/08/11 aconteceu na cidade de Sarapuí, interior de São Paulo, a 1ª Volta Ciclística Manoel Torres.
Não sou o típico competidor, mas de vez em quando é bom se aventurar nessas provas...então resolvi topar.
Além do mais, essas viagens sempre rendem boas histórias. Essa não seria diferente.

Essa história começou há várias semanas atrás, quando Maya e Eu decidimos aceitar o convite para participar da tal prova. A Galera de Cotia deu uma boa incentivada para que fôssemos.
Aliás, essa turma aí fez uns sete reconhecimentos do percurso. Eles sim estavam muitíssimo afim de participar.

Bem, tendo Maya e Eu nos inscrito, hora de procurar estadia.
Seguindo a recomendação de um dos organizadores da prova, fechamos com o Pesqueiro/Pousada Gattaz.

Resolvidos os detalhes da prova/estadia, fizemos o que qualquer Ciclista Amador faz quando se inscreve numa prova: Treinar...(pouco)!
Conseguimos fazer um giro longo uma única vez e os outros poucos giros foram escaladas à Aldeia da Serra, nosso local predileto pra treinos de pouco volume e grande intensidade.

Na véspera da prova, no meio da tarde, fomos pra cidade de Araçoiaba da Serra, local onde fica o tal Pesqueiro Gattaz.
Chegamos lá e vimos que a estrutura não é bem para turistas e sim pra usuários do pesqueiro. Quartos bem simples, sem roupa de cama, uma lanchonete que depois das 19hrs só serviam porções, chaves que ninguém sabia de que porta eram e um chuveiro que dava choque.

A questão da roupa de cama foi resolvida de improviso: arrumaram-nos um edredom, um par de travesseiros e um cobertor que parecia mais um tapete, pois tinha uma quantidade absurda de pó.

Mesmo com todos os imprevistos, ainda tínhamos coisas boas pra relatar, como o Trio Canino que tinha lá. Uma turminha bagunceira e muito dócil, que agora me arrependo de não ter tirado sequer uma foto.

Enfim...dia da prova. Havíamos planejado ir pedalando, já que a prova ficara perto, coisa de 12km, mas pensar na volta, cansados e famintos nos desanimou um pouco, então decidimos ir de carro.
Chegamos um tantinho atrasados, mas deu tempo pra pegar numeral e ainda torrar sob um sol escaldante.
A largada, que estava programada para às 9hrs só aconteceu meia hora depois.

O quórum da prova foi bacana. Segundo a organização haviam 426 inscritos (grande parte desse povo largou).

Maya e eu torrando no sol, ansiosos pela largada.
















A galera a frente de onde estávamos:

E a galera logo atrás de onde estávamos:
















Saímos para uma "volta de apresentação" e depois seguimos pra um lugar onde seria a largada oficial...começaram aí os "erros" (IMHO, é claro) da organização.

Largamos em uma subida, separados (ou não) por Categoria. Eu fui de "Estreante", categoria que tinha a meta de 62km, porém tinha intenção de fazer os 102km, meta da Categoria Elite, já que isso foi permitido pela organização.
A Maya foi de "Elite Feminina", que também faria "só" os 62km, mas ela também estava afim de girar os 102km.

Uma bela bagunça de organizar a largada, alguns tropeços pra clipar na subida e finalmente começou a prova. De cara sacamos que seria bem difícil, pois a cada descida havia uma subida gigante à frente.
A prova inteira houveram esses grandes e intermináveis tobogãs, que iam minando a resistência aos poucos. Com o calor então, foi mais desgastante ainda.

Foi duro achar um passo bacana pra manter. Foi com quase 20km de prova que achei uma cadência confortável.
Quando cheguei no retorno de Pilar do Sul pra Sarapuí, outro erro crasso de organização: Estava eu com as duas caramanholas quase secas e não havia posto de hidratação nesse ponto da prova.
"Isso vai acabar comigo", pensei...

Quando estava perto de 45km percorridos, a sede tava grande e, pra ajudar, bateu uma câimbra na perna direita. Tive de parar por 5min até que conseguisse seguir.

Fui pedalando, tentando manter o passo, controlando pra não ter mais câimbras, mas estava difícil. Quando cheguei perto dos 62km (onde terminaria teoricamente minha prova), e disse pra mim mesmo: "Se tiver posto de hidratação aqui também, sigo pra fazer os 102km, caso contrário, a prova acaba AGORA pra mim".

Pois não é que cheguei ao pórtico e não tinha água/isotônico?
Ah, confesso que isso me enfureceu um tanto. Segui até o retorno oficial da prova e cruzei a linha de chegada.

Dá uma olhada na altimetria do percurso:














Apesar de tudo, minha média foi de 25,9km/h (marcados no meu CatEye, já que o meu GPS não é lá muito preciso).

Bastante cansado e sedento, subi numa rua lateral e encontrei o Elcio e o Renato tomando um açaí oferecido pela organização (essa parte eles mandaram bem).
Peguei o meu e mandei ver! Deu até dor de cabeça tomá-lo com pressa...

Arrefecido, mas não hidratado, fui buscar o líquido sagrado: Água. De quebra, isotônico/banana/maçã/pipoca doce e minhas medalhas.
Sentei-me na arquibancada, esperando que a Maya aparecesse pra lhe dar um isotônico, caso ela decidisse fazer os 102km.

Eis que depois de algum tempo, me aparece ela com um bolo de câmaras de ar enroladas no STI e uma carinha frustrada, pois sua bike não foi bacana e a deixou na mão.
Mesmo ela tendo levado a Trekzinha pra ser regulada, as marchas escapavam toda hora e ela ainda teve problemas com o pneu traseiro e a falta de espátulas pra removê-lo.

Conversando com ela sobre o ocorrido, pontuamos outra falha da organização: Os Carros de Apoio, que deveriam ficar junto do último ciclista não estavam lá, quando voltávamos de Pilar do Sul. Também não haviam carros circulando no meio dos pelotões.

Vi muita gente parando com câimbras sendo resgatados por pessoas que não eram da organização e a própria Maya, que precisou de apoio, acabou sendo trazida por um dos participantes que também precisou de ajuda, mas contou com socorro próprio.

Pra quem pensa que acabou, tem mais: Fomos guardar as bikes no carro e quando descemos pra linha de chegada, a organização já tava "levantando acampamento". Nada estranho, não fosse o fato de que haviam ciclistas que não tinham completado a prova ainda.
Logo, verificamos outra falha: a falta de controle de quem já tinha completado e quem ainda estava girando.

Desapontados com o saldo, pegamos o carro e fizemos nosso caminho de volta ao Pesqueiro. No caminho vimos pelo menos quatro ciclistas voltando.

Uma pena que a prova tenha rolado sob esses termos. Tudo bem, a prova é nova e os organizadores tem muita coisa pra melhorar até o ano que vem.
É inegável que o percurso é bonito, de bom piso, além de exigir preparo e concentração. Se melhor organizada, essa prova promete.

Mas como conversamos, Maya e eu, imagino que pra maioria dos ciclistas de estrada que se aventuram em provas, o padrão mínimo de organização é o da VO2 de Campos.
Uma prova de menos de 50km, com no mínimo dois postos de hidratação, motos com auxiliares de enfermagem e kits de primeiro-socorros, carro-vassoura (que é quem pega os ciclistas que não conseguiram completar o percurso) e um controle preciso de quem ainda está estrada e quem já chegou.

Enfim, espero realmente que essa prova melhore em termos de organização, que da próxima vez eu esteja mais bem preparado e que a Maya tenha mais sorte com a transmissão e com o kit de emergência da bike.

Pra quem quiser dar uma olhada nas fotos da prova, acessa aí ó: http://www.sorocabaesportes.com/?p=7316

Grande abraço e até a próxima!

2 comentários:

Maya disse...

Belo relato! Retratou bem o que aconteceu na prova, mas esqueceu de citar que entre os meus tantos azares também está a bomba de CO2, que resolveu falhar e quase congelou meu dedo! Hahaha
Esse dia realmente não tava pra mim...

Agora temos que treinar (de verdadinha) pra VO2! Só de raivinha quero mandar muito bem nessa prova!!!

Bjokas lindo!!!

FabioTux® disse...

Putz...esqueci de citar esse fato.
Mas acho que fica melhor se você contar como foi a prova do seu ponto de vista!

Agora, quanto a treinar, 'guenta coração quando você for apresentada ao Bairro do Saboó!

Beijokas!