quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Cicloturismo e AutoConhecimento

(postado originalmente em www.biocicleta.com.br)

¡Buenas Crianças!

Diferente dos posts habituais, trago pra vocês um um registro (muito) pessoal sobre a minha primeira experiência em viajar sozinho. 

Não sou aspirante à psicólogo ou algo do gênero, mas penso que minhas palavras vão soar como uma cópia barata de livros de auto-ajuda. Juro que essa não é a intenção. Apenas achei que seria interessante e válido expor essa experiência, que transcendeu à alegria de uma viagem, dando-me algo que nenhum relato, foto ou vídeo poderia mostrar: autoconhecimento. 

Vamos lá!

Outro dia, pela manhã, estava pensando sobre uma viagem que faria com minha Namorada em Out/11. Durante o planejamento dessa viagem falamos sobre o prazer que é viajarmos juntos, e o quanto seria bom relembrar e reviver esses belíssimos momentos juntos.

No instante seguinte, pensei na viagem de férias que faria sozinho, também em Out/11 e na viagem que fizera há pouco mais de um ano atrás, em Jun/10.














A lembrança daquela viagem e a ansiedade desta que se aproxima meio que me “inspiraram” a escrever sobre minhas impressões sobre uma viagem solo.

Não vou entrar no mérito das questões pessoais que passava à época, mas desde já adianto que foram essas tais “questões pessoais” as responsáveis por eu criar coragem de fazer essa viagem.

A tal viagem foi para Bertioga, litoral norte de São Paulo. Na ocasião eu havia planejado uma trip em grupo com uns amigos pra outras cercanias, mas houveram imprevistos de saúde com um desses amigos, então tivemos de adiar.
Como já tinha separado dois dias para a viagem e também estava precisando de um tempo só pois estava passando por momentos difíceis, resolvi encarar o medo e a insegurança e fazer a trip sozinho.

“Mas, e agora? Viajar sozinho...tenho que ser auto-suficiente tanto em ferramentas e itens sobressalentes (câmaras, remendos, bomba
 de ar) como em água e alimento. E se eu cair ou for assaltado? E se algo acontecer e não conseguir completar a viagem?”.

Esses foram os primeiros pensamentos que povoaram minha cabeça. Esse medo é justificável e, arrisco dizer, indispensável para o planejamento, pois foram justamente eles que balizaram a separação da bagagem, a pilotagem, o caminho e a atitude na estrada.

Passei a semana planejando e acertando a bike, ainda ponderando se devia ir ou não. Mas na véspera da viagem, apesar de ainda sentir aquele frio na barriga, estava decidido a não desistir.
Amanheceu uma sexta-feira, peguei minha bike já preparada para a aventura e lancei-me na estrada...

O meu caminho incluía uma passada no centro da cidade de São Paulo, evitando duas famosas vias expressas: as Marginais Pinheiros e Tietê (na verdade, um pedaço da Tietê era obrigatório pra alcançar a Rodovia dos Trabalhadores/Ayrton Senna).


Nessa primeira “perna”, minha atenção estava 100% focada no trânsito, que mesmo pela manhã era intenso. Não dava tempo de relaxar...a tensão de pilotar dentro da cidade exigia muito.
Passado por esse trecho mais complicado, alcancei a Ayrton e aí sim tive mais tranqüilidade pra avançar pelo largo acostamento da via, até a entrada de Mogi das Cruzes.

E como foi bom poder fazer isso sem ser interrompido pelo toque do telefone, aquele e-mail urgente, uma notícia estarrecedora, ou qualquer outra coisa que o valha.

Conforme ia avançando, começaram as subidas e junto com elas o cansaço, mas mesmo nos trechos mais difíceis, estava tão consciente das minhas limitações, de quanto poderia forçar, tanto física quanto psicologicamente, que não me preocupei, nem senti medo. Segui muitíssimo bem!

Agora confiava muito mais em mim do que confiava quando saí de minha casa.
A cada quilômetro vencido, ia reconhecendo e (re)descobrindo um pouco mais sobre mim. E digo a vocês: é interessantíssima a sensação de se olhar de uma forma mais profunda e cuidadosa.
É como se você pudesse se “ausentar de si” por um tempo, para se analisar sob outro ponto de vista. Você consegue enxergar coisas que ficam em níveis mais profundos do seu eu, coisas que ficam ocultas sobre a pilha de preocupações do dia-a-dia.
Além de ter tido um contato mais intenso comigo mesmo, esse aumento de sensibilidade aguçou meus sentidos. Paisagens, cheiros, sons...tudo parecia muito mais interessante e intenso.




Quase 160km pedalados, 10 horas depois, cheguei ao meu destino. Antes de me dirigir ao local onde pernoitaria, parei perto da praia, numa pista de skate e tirei uma foto da bike.








Depois de me registrar e arrumar as coisas no camping, fui dar uma volta na praia.
A noite já estava chegando, então durante a caminhada à beira-mar pude admirar coisas simples e belas, como a luz da lua tocando as águas do mar, a brisa marítima...(ta, parece bastante piegas, eu sei...)



Demorei um tanto pra voltar pro camping e, quando o fiz, já estava pronto pra dormir.
Tive uma noite de sono tranqüila e serena...

No dia seguinte, toda a serenidade que havia entrado em mim, continuava lá...
Grande parte das preocupações que trouxera da cidade pro litoral foi tratada com o devido cuidado e atenção. Algumas questões até ganharam respostas.

Isso me deu uma sensação de alívio muito grande, pois havia recarregado as baterias e ganhando fôlego para encarar os problemas da cidade grande!
Passei o resto do dia curtindo o mar, conhecendo o centro da cidade e por volta das 16hrs, embarquei num ônibus de volta pra São Paulo.

Foi uma grande experiência, tanto “cicloturística” quanto pessoal.
Talvez seja um exagero dizer que essa experiência mudou minha maneira de enxergar o mundo e a mim mesmo, mas posso dizer sem sombra de dúvida que foi muito importante tê-la vivido.

Por isso, se você ainda não fez uma viagem sozinho, recomendo que o faça, mesmo que seja só uma vez.

E ela nem precisa ser muito longa. Só precisa te dar a chance de deixar as preocupações de lado, para que você entre em contato consigo mesmo e se conheça mais e melhor.

Espero que você tenha curtido o post.

Se você quiser saber (ou relembrar) como foi essa viagem pra Bertioga, acesse o link: http://fabiotux.blogspot.com/2010/06/cotiabertioga.html

Abraço e até mais!

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