quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Dificuldades do Cicloturismo no Brasil - Bicicletas/Quadros


Olá Crianças!

Eu tenho falado muito sobre Cicloturismo com alguns amigos ao longo desses últimos meses. Em todas as conversas, uma coisa sempre fica bem clara: Não é nada fácil ser Cicloturista no Brasil.

Várias dificuldades impedem que tenhamos acesso lugares, infraestrutura, equipamentos, segurança, etc para a prática dessa modalidade.
Ainda assim, como todo bom brasileiro que nunca desiste, insistimos em aprimorar e criar meios para que o Cicloturismo cresça e se desenvolva.

Como gosto de uma boa discussão, gostaria de provocar vocês, amigos leitores, a pensar e discutir sobre essas dificuldades e o que pode ser feito para que as vençamos.


Bicicletas/Quadros:

Fato: O Brasil não possui nenhum fabricante de bicicletas específicas para Cicloturismo.
Na cabeça dos nossos fabricantes, essa modalidade não existe e/ou nós nos viramos "muito bem, obrigado" com o que está disponível.
Pode ser que eu esteja falando uma grande bobagem (ou não), mas é exatamente assim que vejo as coisas.

Só pra ilustrar: Em Set/2009 comprei uma Caloi City Tour. Essa bicicleta (lançada em 2007 se a memória não me falha) era uma aposta da Caloi para Mobilidade Urbana, mas apesar do nome, tinha um excelente potencial para Cicloturismo, pois era dotada de rodas 700c, geometria confortável, suspensão 50mm de curso, relação de MTB (21v), pneus mistos 700x42 e o sempre bem-vindo bagageiro traseiro.
Minha (finada) Caloi City Tour
É claro que fiz vários upgrades nela, mas conheço gente que quase não a alterou. O problema é que a Caloi simplesmente resolveu parar de fabricá-la/vendê-la em 2010.
Versão "Reloaded" da City Tour
Versão "Revolution" da City Tour
No ano de 2011eles resolveram lançar a Caloi Mobilité by Renata Falzoni.
Achei fantástico! Era uma versão melhorada da City Tour, com componentes Shimano Deore...mas só foram produzidas 50 unidades.
Caloi Mobilité
E de lá pra cá, nada de bicicleta com vocação pra Touring, seja da Caloi ou de qualquer outro fabricante nacional. Simplesmente ninguém se mexeu  pra lançar uma boa bicicleta com suporte para bagageiro, geometria "confort" ou algo perto disso.

Se não tem bicicleta nacional pra Cicloturismo disponível, o que fazer? Ora...comprar uma importada!

Okay, mas as bikeshops não me parecem muito convencidas de que esse é um bom mercado à ser explorado.
O resultado disso é a falta (e até inexistência) de modelos nos distribuidores nacionais das grandes marcas (Trek, Cannondale, Giant, Kona, Fuji etc).

Mas mesmo que tivéssemos uma boa oferta dessas bicicletas, esbarraríamos em outro ponto importante: Custo: Atrelado ao preço das bikes lá fora, temos os tributos de importação (quem tem ficado cada vez maior), o custo do IOF sobre a operação de câmbio e a margem de lucro de quem vende, resultando em valores quase impraticáveis pro "Brasileiro Comum".

Com toda essa dificuldade, o Cicloturista apela pra uma dessas três opções:

Adaptar: Aqui vale tudo. Pegar quadros de MTBs antigos de cromo molibdênio, furar, cortar, soldar, adaptar bagageiros com vários tipos de abraçadeiras, enfim...toda sorte de gambiarras que a criatividade brasileira permite.
Parece-me que é a solução mais utilizada por aqui. O brasileiro adora uma gambiarra!!!
O problema é que a bike nunca fica "pronta". Estamos sempre tendo de inventar algo pra suprir uma determinada necessidade.

Importar Direto: É uma opção interessante pra quem consegue economizar pra pagar um quadro ou até uma bike inteira à vista (nas gringas não tem parcelamento no cartão de crédito).
Lá fora existe um mercado muito bem estruturado para Cicloturismo. Basta olhar os fóruns, blogs e lojas gringas pra se encantar com os fabricantes que nos é comum (Trek, Cannondale, Giant, Kona, Fuji, etc) e outros não tão conhecidos por aqui, como Surly, Corratec, BeOne, Dawes, Cube, Jamis, Claud Butler, Ridgeback, Raleigh, isso só pra citar algumas das marcas que possuem modelos específicos.
É claro que você ainda tem de bancar os impostos+IOF+frete, mas ainda assim sai mais barato do que comprar de uma bikeshop, que vai agregar ao preço a sua margem de lucro.

Fazer sob encomenda: Funciona, mas é um grande parto. Toma tempo, paciência, dedicação, e vez por outra acaba não ficando exatamente como deveria. Isso tudo sem contar o preço, que não é dos mais baratos.
Também exige que o Cicloturista tenha um conhecimento intermediário/avançado de peças/componentes, para que o projeto possa andar bem.

Acreditem ou não, essa é (IMHO) nossa situação atual.

É claro que tem gente tentando fazer a diferença.

Me parece óbvio que, conforme nossa necessidade por novos equipamentos surge, as bikeshops tentam suprir da melhor maneira possível, seja trazendo algum material específico sob encomenda, abrindo mão de uma margem mais "poupuda", ou até mesmo lojista arriscando e investindo no estoque de bikes/quadros/peças específicas para o Cicloturismo.
O problema é que a gente está tão habituado com as adaptações, gambiarras e importação direta que acabamos não passando para as bikeshops as nossas necessidades, quebrando a corrente da oferta/procura, tornando lenta e difícil a consolidação desse nicho de mercado.

Ainda assim, penso que com os pequenos esforços das bikeshops e distribuídores, além da troca de experiência dentro da "Comunidade Cicloturistica", logo logo teremos grandes novidades nesse cenário.

Nesse meio tempo, continuamos nossa busca de pechinchas em bicicletarias de bairro, inventando novas gambiarras, pesquisando novidades nos sites gringos e sonhando com bikes mais adaptadas ao nosso uso.

Grande abraço e até mais!

Um comentário:

Maya disse...

Não é nada fácil ser ciclista no Brasil! Faltam equipamentos, vestuário especializado, quadros de diferentes modalidades e usos... E quando se é mulher, multiplique as dificuldades por 10, se for baixinha então, pode multiplicar por 10 de novo! hahaha

Mas a gente vai dando nosso jeitinho, né? Compra uma pecinha aqui, dá sorte e acha outra acolá... E assim vamos nos virando pra continuarmos praticando esse esporte tão apaixonante!