quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Dificuldades do Cicloturismo no Brasil - Transporte Complementar


(Orignalmente postado no BioCicleta)

Buenas, Crianças!

Não é sempre que é possível sair da porta de casa, percorrer seu caminho e voltar, usando única e simplesmente a bike: Na grande maioria das vezes, temos que nos valer de algum meio de transporte complementar, como ônibus, avião, trem, metrô, etc.

O grande problema é que nem sempre conseguimos embarcar com a bike nesses meios de transporte.

Voltando de ônibus de viagem.

O mais comum entre os cicloturistas é chegar ao destino "no pedal" e voltar pra casa em um ônibus de viagem.
Em tese, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) nos garante o direito de embarcar com a bicicleta.

De acordo com a Resolução Nº 1432 de 26/04/06, é permitido a um passageiro embarcar com um volume de até 30kg e volume máximo de 300 decímetros cúbicos, limitados a maior dimensão de qualquer volume a um metro.
Pensando numa bike com as rodas removidas e o canote do selim removido ou completamente introduzido no seat tube, as dimenções ficam aproximadamente em 1,00 x 0,60, x 0,40, ou seja 240 decímetros cúbicos, dentro da norma estabelecida.

Mas como no Brasil as leis são feitas pra gerar confusão, não existe uma regulamentação para o transporte específico da bicicleta, então as empresas de ônibus fazem o que bem entendem.

Há algumas empresas que tratam a bicicleta como bagagem, ou seja, você pode embarcar tranquilamente, contanto que proteja a bicicleta, de forma a não sujar/avariar as outras bagagens que forem colocadas no bagageiro do ônibus.

Há outras que tratam a bicicleta como encomenda, aí a coisa fica complexa: eles exigem que você apresente a Nota Fiscal da bicicleta e que ela esteja embalada em caixa de papelão, respeitando as medidas acima descritas...um inferno.

Eu já tive experiências muito boas em relação ao embarque da bicicleta em ônibus, embora algumas tenham sido um tanto estressantes.

Numa viagem à Itirapina/SP, um Amigo e eu voltamos com a bicicleta no bagageiro. Na ocasião, consultamos antecipadamente o SAC da empresa que fazia o trajeto Itirapina/São Paulo e eles nos garantiram que não haveria problema no embarque.

Mas não foi o que ocorreu. Na rodoviária, o motorista negou-se permitir o embarque e só ligando no SAC da empresa é que foi possível.

Viajando para o Litoral Norte de São Paulo, Paraty, no Rio de Janeiro e em Três Corações, em Minas Gerais, nunca tive(mos) problemas de embarque.

Nas viagens que fiz(emos) pra esses locais e nunca nos negaram embarque. Pelo contrário, foram extremamente cordiais e receptivos.


Mas, e se for de avião?!?!

Aqui a coisa parece ser bem mais maleável. Eu viajei uma única vez com a bike no avião e não tive problemas. 

A ocasião era uma prova de ciclismo, a Claro 100k, uma etapa que se rolou em Brasília/DF. 

Em São Paulo, o aeroporto estava repleto de ciclistas embarcando com suas magrelas em todas as companhias aéreas que fazem o trecho.

Algumas estavam acondicionadas em Mala-Bikes (a minha, por exemplo) e outras estavam apenas envolvidas com plástico-stretch/bolha.

O tratamento que as bikes recebem no embarque/desembarque não é dos mais cuidadosos, mas pelo menos eu e meus amigos não tivemos nenhum problema com avarias.

Trens e Metrô (em São Paulo, pelo menos), também pode?

Aqui em São Paulo é permitido andar com a bicicleta nos trens da CPTM e no Metrô, mas as regras diferem um pouco:

CPTM: É permitido embarcar no último vagão da composição nos sábados após as 14hrs, domingos e feriados o dia inteiro.

Metrô: É permitido embarcar no último vagão da composição de segunda a sexta após as 20:30hrs, sábados a partir das 14hrs e domingos e feriados o dia inteiro.

Essa facilidade que os trens/metrô de São Paulo nos concedeu é muitíssimo bem aproveitada por mim e meus amigos cicloturistas paulistas/paulistanos.

Sempre que viajamos pro Litoral, Interior ou pra fora do Estado, os ônibus chegam em uma estação de Metrô (Jabaquara/Barra-Funda/Tietê), baldeamos para onde for mais interessante e/ou pegamos um outro ônibus até nossas casas.

O que tenho feito é baldear dessas estações até a interligação com os trens da CPTM, chegando assim o mais próximo possivel de casa, economizando vários Reais e chegando a casa do jeito que saí: pedalando.


Apesar de todas essas possibilidades, não creio que isso seja o ideal.

O que falta é o poder público normatizar o transporte de bicicletas de forma clara, evitando perda de tempo, discussões e frustrações.

No que tange o Transporte Rodoviário, existe um Projeto de Lei (PL 6824/2010) tramitando no Congresso e uma alteração desse no Senado (PL 113/2011) para que sejam estabelecidos procedimentos para o transporte de bicicletas em ônibus, mas ainda está longe de ser aprovado, ao que me parece.

Já o Transporte Aéreo é o que tem as regras mais claras (ou "menos obscuras", ao que parece), embora ainda aconteçam problemas de embarque causados por funcionários despreparados para informar e executar os procedimentos.

Finalmente, no Transporte Ferroviário, apesar de bater palmas para a boa vontade das Companias de Trem e Metrô de São Paulo, que visam melhorar a questão da mobilidade urbana, penso que poderiam disponibilizar um vagão especialmente para o transporte de bicicletas, com ganchos para deixá-las penduras na horizontal, garantindo assim um maior número de ciclistas atendidos, circulando em todas as composições durante o dia inteiro, como é em alguns países da Europa.

Bem, esse é o meu "parecer" sobre o que vejo sobre a dificuldade de transporte complementar aqui em São Paulo.

Grande abraço e até a próxima!

Um comentário:

Waldson Gutierres (Antigão) disse...

Fábio, apenas gostaria de acrescentar que agora o biker usuário do Metrô pode transportar a bike pela escada rolante, sempre no sentido para cima, priorizando os demais passageiros.

Abraços.