sexta-feira, 27 de abril de 2012

Audax 300k - Rio das Ostras (de Dobrável)


Olá Crianças!

Vamos exercitar nossas mentes um pouquinho?

Você já parou pra analisar o que significa se deslocar 300km por via terrestre?
De carro ou ônibus, com certeza, sim. Deve ser algo como três horas e meia sentado em um veículo se deslocando a 90km/h aproximadamente, certo?

Mas agora, analise o que significa deslocar-se por 300km usando uma Bicicleta.
Trata-se claramente de um grande esforço físico e mental, não é mesmo? Acredito até que você sinta dificuldade de imaginar quanto tempo isso levaria.

Agora, pra deixar mais interessante esse exercício, imagine que essa bicicleta é um dobrável com aro 20" e 7 marchas. Ficou à beira de dizer "que loucura"?

Pois é! Foi o que eu imaginei quando li o relato de uma moça muito simpática que fez o Audax 200k e pretendia fazer o Audax 300k.

Essa moça é a Michele Mamede. Eu conheci o feito dela através de seu próprio blog, que me foi indicado por um amigo em comum, o Artur.

Depois de ler o relato dos 200km numa Dahon, fiquei absolutamente maluco para experimentar essa maluquice.
É claro que, mesmo depois de ler, várias dúvidas vieram à mente, seguidas da expressão "que loucura".
Bom...o único jeito de sanar as dúvidas e transformar a "loucura" em "possibilidade" foi falando pessoalmente com a Michele.

Na ultima Bicicletada (Critical Mass) da Paulista, fomos apresentados e ela me falou de como a prova transcorreu, como o corpo e a mente se comportaram, como as pessoas que a viram reagiram e, pasmem, que ela estava disposta a Brevetar 300k com a mesma Dahon.

Pois bem, depois de matutar um bocado, aceitei o desafio: também vou brevetar no Audax 300k de dobrável.

Minha dobrável, a Éowyn
Tendo decidido, começaram os preparativos. Inicialmente, iríamos em 3 pessoas: Artur, Davi e Eu, mas o primeiro teve um problema odontológico (sabe como é quando o siso dá sinais de vida, né?). Então somente Davi e Eu fomos.

Cheguei ao Terminal Rodoviário Tietê por volta das 18:40hrs, onde o Davi já esperada. A saída estava programada para as 20:30hrs, então tivemos tempo de papear, comer, etc, etc.

Pouco antes do embarque, eis que surge mais um "Audaxioso", o Marcelo e sua Fixie, que também participaria da prova.

Apresentamo-nos, trocamos figurinhas e, assim que o ônibus chegou à plataforma, embarcamos as magrelas.

Davi e Marcelo ajeitando as bikes no ônibus
Tendo embarcado, seguiu-se uma longa viagem até Rio das Ostras, com uma parada no meio do caminho.
Chegamos por volta das 4:30hrs da manhã e, logo que desembarcamos, começamos a preparar as bikes.

Éowyn as 4:30hrs, já pronta pra ação!
Davi tirando a bike do Mala-Bike

Fixa do Marcelo, exclamando: Tá Cedo! (tava mesmo)
Não demorou muito para os casais Michele & Ricardo (Shadow) e Tatiana & Bruno chegassem, também de São Paulo, pra fazer a prova.

Galera toda: Davi, Eu, Shadow, Bruno, Tati, Michele, Marcelo
As Bikes: New Yorker e Éowyn
Conversamos bastante, trocamos figurinhas e seguimos pro Hotel Atlântico, onde o pessoal recém-chegado iria se hospedar. Marcelo iria pra casa de um familiar e Davi e Eu, iriamos perambular pela cidade, pois não reservamos hotel/pousada.
Pouco antes de chegarmos ao hotel, paramos para contemplar o nascer do sol.



Batemos um papinho, o Marcelo seguiu seu rumo e nós acompanhamos a galera até o hotel, já que o Bruno gentilmente nos cedeu lugar pra deixar as bagagens. Assim poderíamos andar pela cidade sem peso extra.

Davi e eu deixamos o hotel e fomos imediatamente para um pequeno Pier ali perto. Subimos com as bikes pra ver o mar, tirar algumas fotos e tomar nosso primeiro café da manhã!


Já que tínhamos a manhã inteira pela frente, exploramos as imediações da largada, que é no fim da avenida do hotel.
Procurando uma padaria para que pudéssemos tomar o segundo café da manhã, acabamos encontrando a "Praça da Baleia". Olha só o que tinha lá:

Escultura da Baleia Jubarte...
...com um mergulhador em sua cauda.

Admiramos a peça, pegamos informações com um policial do local e nos dirigimos à tal padaria.

Depois desse segundo café, bateu um sono forte. Mas como não tínhamos onde dormir, voltamos pra praia e cochilamos um tantinho num quiosque.

Davi tirando uma soneca no banquinho do quiosque.
Uns 45min depois que chegamos ao quiosque, o dono (ou funcionário, não sei bem) começou a fazer a arrumação para abrir, então sentimo-nos "gentilmente expulsos", o que não foi de todo ruim, pois um amigo do Davi (o Fred) viria da cidade do Rio de Janeiro pra participar da prova.

Voltamos pra perto do Pier e logo o Fred chegou. Deixamos o carro dele no hotel e saímos pra pedalar um pouco e tomar o terceiro café da manhã e pegar nossas passagens de volta pra São Paulo (já que as passagens foram compradas via Internet).

Logo que saímos, meu pneu traseiro furou. Dei uma enchidinha rápida e pedalamos até a praça da baleia, onde fiz a troca da câmara.
Reparo feito, a missão além de trocar o voucher das passagens, era comprar um par de câmaras e uma bomba de ar!

Fizemos tudo e voltamos pro hotel. Quando chegamos, a galera já estava toda de pé, querendo esticar as canelas, tomar um açaí e comprar água.

Saindo do Hotel

Usando a Ciclovia
Na Tocolândia, ao lado da largada, nos preparando pro açaí.

Terminado esse pequeno passeio, voltamos pro hotel, pois já era perto de 12:00hrs, horário propício pra almoçar. Logo depois do almoço, tinhamos de pegar o Kit de Participação (passaporte, numeral e planilha do trajeto), participar de um rápido briefing e finalmente largar.


Éowyn e eu na concentração, aguardando a largada

Enquanto aguardávamos, rolou aquela confraternização bacana com os participantes, todos muito ansiosos por largar.
Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente alguns participantes que só conhecia por Internet e trocar figurinhas com colegas de pedal completamente desconhecidos.

Segundos finais, a Turminha desejou boa-sorte uns aos outros e largamos, com escolta da Polícia.

A largada foi pouco depois das 16:00hrs, sob tempo nublado, excelente pra quem não é do Rio de Janeiro (lá faz um calorzão...).


Daqui pra frente, é claro, não tirei mais fotos. Toda a concentração estava na prova, na bike, no ritmo, nos outros ciclistas, enfim...desencanei das "chapas"!

Os primeiros 64km foram bem tranquilos. A medida que ia pedalando, a "pequena dobrável" ia ganhando velocidade e aumentando minha vontade de pedalar mais forte. Foi o que fiz!

Aos poucos fui me distanciando da Turma e, quando menos esperei, tinha se formado um grupo pedalando no meu ritmo.
Chegamos ao PC1, em Macaé por volta das 18:40hrs, praticamente 20min depois que ele abriu. Alguns minutos depois a Turma também foi lá carimbar o passaporte.

Nesse PC tínhamos à disposição algumas frutas (maçã, banana, mexerica, uva, caqui), água, doce de banana, amendoim e pé-de-moleque.
Comi um pouco, estoquei amendoim e doce de banana, abasteci as caramanholas, descansei um pouco e "bora" continuar.

Decididos a manter o ritmo que imprimimos na primeira "perna", o grupo que se formou no caminho seguiu para a o PC2.

O pedal até o PC2, em Quissamã, foi de 51km+/-. Seguimos num bom ritmo, conversando bastante. Nesse trecho, já tínhamos que usar nossas lanternas, pois a maioria do trajeto não possui iluminação.
Acredito que chegamos nesse PC por volta das 21:40hrs +/-.

Nesse PC nos foi servido um macarrão com molho de tomate, Uma comidinha quentinha foi algo bacana naquele horário, tanto pro estômago, quanto pro moral.
Havia uma lanchonete no local, então foi possível comprar refrigerante, isotônico e algumas guloseimas.

Nessa parada, fomos avisados que no PC3, em Barra do Furado, não teríamos alimentação, somente água, então resolvi reforçar a alimentação, comendo mais um pouco de macarrão, além de deixar mais fácil as coisas que estoquei no PC1.

O pedal pro PC3 foi mais cansativo, afinal já tínhamos percorrido 1/3 da prova. O ritmo caiu um pouco, mas ainda assim seguimos bem.
Nessa "perna" do percurso encontrei o Nino Coutinho (ciclo amigo que só conheci pessoalmente nesse Audax) com sua bike reclinada. Conversamos um pouco, pegamos vários buracos na pista (que quase nos mataram de susto), mas logo voltei pro grupo.

Faltando muito pouco pra chegar, alcançamos um grupo de uns seis ciclistas, justamente no local onde começava uma sequencia absurda de buracos. A iluminação provida por esse monte de gente foi imprescindível pra que passássemos nesse trecho sem acidentes.

Chegamos a esse PC, que marcava a metade da prova, antes das 00:00hrs (o que pra mim foi excelente).
Conforme avisado pela organização, esse PC não tinha alimentação, somente água. Então a parada foi a mais rápida de todas.
Comi duas bananas e um bocado de amendoim que trouxe do PC1, tomei água e voltamos pras bikes.

Nesse momento, dava pra notar que todos estavam bem cansados, mas ainda assim tentamos manter um ritmo bom.
O que consumiu bastante tempo foi passar novamente pela sequencia de buracos na estrada.
Passados os buracos, socamos a bota o mais firme que podíamos, tanto que, em duas horas, chegamos ao PC4, de volta em Quissamã.

Bem cansado, voltei a comer um belo prato de macarrão. Depois disso, bateu um sono quase incontrolável. Os 191km rodados até aquele momento, além de quase 24hrs sem dormir, começaram a cobrar o preço.
Tomei um RedBull (comprado na lanchonete do local), respirei fundo e voltamos pro pedal. Seriam mais 52km até o próximo PC.

Começamos essa "perna" com o mesmo grupo, mas no decorrer do pedal o grupo se desfez. O grupo que era de 6 ciclistas diminuiu para 4.
Por conta do sono, tive até de jogar água na cara pra ver se acordava, mas o que resolveu mesmo foi imprimir um ritmo mais forte possível naquele momento.

Faltando pouco mais de 10km para a chegada ao PC5, em Macaé, perdemos uma entrada. Quando nos demos conta, ligamos pra organização, pra ver se eles nos ajudavam, mas o que realmente resolveu foi ter encontrado um senhorzinho que nos indicou o caminho.

Conseguimos nos achar e finalmente chegamos ao PC5.
Ah, meu amigo...nesse não teve jeito: precisava muito dormir, então me alimentei/hidratei, esquematizei um colchonetezinho (esse PC era dentro de uma academia comunitária), deitei no chão e dormi por 45min. O Nino também acabou dormindo um pouco, enquanto o resto do grupo seguiu pra tomar café.

Acordamos, Nino e eu, por volta das 6:15hrs. Como o pessoal já tinha ido, seguimos caminho, agora num ritmo relativamente lento.
Tomamos uma pequena "surra" pra sair do centro de Macaé pra pegar a rodovia, mas logo que conseguimos, encontramos o pessoal num posto de combustíveis, arrumando o pneu de um dos caras que nos acompanhava.

Como tinha bastante gente pra ajudar, Nino e eu resolvemos seguir em frente sem paradas. Não demorou muito, um deles nos alcançou e seguimos em três por um bom pedaço.

Visivelmente cansados, com assadura "nos países baixos", mas ainda com intuito de chegar antes das 9:30hrs da manhã, seguimos "socando a bota".

Nessa altura, voltamos a ser dois ciclistas apenas: Nino e eu. Demos uma paradinha num mercadinho, o Nino pra tomar uma Coca-Cola e eu pra comer uma Paçoca e tomar um Suquinho de Soja, e logo começamos a enfrentar as subidas (que nem eram assim tão fortes, mas o cansaço era tamanho que qualquer subidinha parecia uma montanha).

Mantivemos nosso ritmo da melhor maneira que nos era possível. Conforme as subidas iam acabando e a distância do PC6 (chegada) ia diminuindo, conseguimos dar um gás, usando as ultimas forças que nos restavam.

Nesse trecho, o Nino sacou o celular e tirou uma "chapa" desse que vos escreve:
'tamo' cansado, tá doendo, mas 'tamo' chegando! Bora lá!
Quando chegamos na avenida que desembocava na ciclovia junto a chegada, olhei para o relógio e sugeri pro Nino pedalar o mais forte que fosse possível, pra gente bater a meta no horário previsto.

Pois eis que, as 9:29hrs, entregamos nossos passaportes, encerrando a saga dos 300k.
Quando entreguei o passaporte e vi o rapaz escrevendo a hora, me deu uma sensação maravilhosa! Fazer 300km em uma bicicleta dobrável, com tempo de 17hrs aproximadamente foi algo absolutamente exultante!

Missão cumprida, Nino e eu fomos tomar nossa merecida Coca-Cola gelada e comer algo, depois fomos cumprimentar o pessoal que ia chegando.

Passado uns 45min, chega a Tatiana. E mais 45 para que, Michele, Shadow, Davi e Fred chegassem.
Bruno (que não pedalou por problemas no joelho) veio buscar a Tati e me concedeu o direito de tomar uma ducha quente no hotel.

Ah, que maravilha foi poder me banhar depois daquele esforço todo! O corpo tava precisando demais!

Relaxando no hotel, aguardando a galera pra almoçar.
Todos se banharam e finalmente saímos pra almoçar (de verdade) e trocar figurinhas sobre a prova.
O Fred e o Marcelo foram para seus respectivos destinos.

Galerinha no YakiOstras, curtindo o almoço e os "causos" da prova.
O tempo deu uma virada, Começou a chover, mas ainda assim ficamos por lá, curtindo a vitória!

É claro que todos estávamos muitíssimo cansados. Todos deram uma cochilada na mesa. Teve até quem dormisse no banco!

Mendigão 100%, Dignidade, 0%
Pena não ter fotografado, mas a Tati dormiu num banquinho, na chuva. O Bruno teve de ir "resgatá-la", senão ela iria embora encharcada!

Enrolamos o resto do dia e por volta das 19hrs fomos para os locais de embarque, pra voltar pra São Paulo.
Os primeiros a zarpar foram os dois casais, enquanto Davi e eu ainda aguardamos até as 21hrs o nosso "teletransporte". (sim...foi bem isso: dormimos em Rio das Ostras, acordamos no Tietê, em São Paulo).

Inegavelmente, foi uma experiência e tanto esse Audax 300k. Agora é me preparar pra fazer os 400k, provavelmente aqui em São Paulo (com muita subida, diferente de Rio das Ostras).

Bora treinar?!

Abraço e até mais!

12 comentários:

Loureiro disse...

Parabéns meu amigo!!! isso sim é audacioso!!!

abraço

Dimitrius disse...

parabéns fabiao não esqueça do hipoglos nos 400k... abs

Fernando P. Silva disse...

Parabéns meu irmão. Quem sabe ano que vem somos os dois pedalando...to loco pra pedalar com vc´s
Abraço

piacere disse...

Adorei o relato, Tux! E obrigada pelo "simpática" :)
Mais uma vez, parabéns pelo brevet!! Fiquei felizona que você foi com a Éowyn!

FabioTux® disse...

Valews, Galera!
@Loureiro: Foi bem "Audaxcioso", sem dúvida...ainda bem que a Michele pilhou pra eu ir c/ a Éowyn, senão teria perdido a oportunidade!

@Dimitrius: É...pros 400k já tenho o hipoglós e também levarei vaselina (dicas da galera "Audaxciosa").

@Fernando: Aew, Sua Mãe é Minha!
(óbvio, não?!)
É, Fio...tá na hora de perder essa barriguinha aí e partir pro pedal!

@Piacere: Ah, simpática foi um singelo adjetivo! Vc, Shadow, Bruno, Tati, Fred, Davi e Marcelo) são todos muito queridos e foram fodásticos antes/durante/depois da prova.
Bora pros 400?! :D

elton disse...

Fabio, parabéns! Toda vez q leio sobre audax fico ansioso, querendo participar do meu primeiro! Abraços
Elton Xamã

FabioTux® disse...

Valews Xamã...
Mas, vem cá: o que te impede de começar?! 200k, na manha do gato...12h30' pra completar...suave!

Tati Tamie disse...

Como assim vai fazer 400k em São Paulo? A gente até pegou um quarto com banheiro só pra vc, pra não ter que ouvir desaforos sobre a limpeza local... Kkkkkkkkk

FabioTux® disse...

Pô Tati, quando escrevi o post, tinha um planejamento de fazer o Audax 400 e 600 em SP, mas a medida que fomos falando, mudei os planos pra fazer o 400 em RdO, o 600 ainda não decidi e o 1000 em Porto Alegre.
Quero ter um intervalo relativamente pequeno entre as provas, justamente pra aproveitar o bom condicionamento que (estranhamente, sem treino) estou tendo.
Bora lá socar a bota!

cintia marski disse...

Adorei o relato Tux! Dá uma vontade enorme de pedalar junto.
Outra coisa não dá mesmo pra imaginar o que é pedalar 300km, de dobrável então impossível, rsrsrs....
Parabéns pelo relato e pelo pedal!

FabioTux® disse...

Valeu Cintia!
Agora falta você treinar pra acompanhar o Davi nos Brevets.
Beijo grande!

Magnus disse...

Grande Fabio. Parabéns pelo feito, cumpri o 300 com a minha speed e já foi F$#@!!! Imagino o que você passou. Estarei lá para os 400, de speed, é claro. Forte abraço.