sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Dia 06 - Entrando Numa Fria: Cicloviagem à Serra Gaúcha

¡Buenas!

A noite não foi tão fria quanto eu imaginei. O seleiro se provou excelente proteção contra o vento e a umidade noturna.

A manhã começou gelada, mas sem geada. Levantei pra tomar aquele café da manhã reforçado, pois passaria boa parte do dia fora da Pousada.
O plano era visitar o Pico do Monte Negro e, se possível, algum outro ponto turístico nas imediações.

Antes de sair, tirei uma foto com Sr. Pedro e a Dna. Leila, que iriam embora naquele dia.

Simpatia o casal de Torres/RS

Só saí pro pedal lá pelas 10h, pois queria aguardar a temperatura subir um pouco. O dia estava inegavelmente gostoso, sem chuva e um solzinho agradável.
Enquanto aguardava a subida da temperatura, dei um "banho" na Só no Girinho, pra remover o barro acumulado, além de relubrificar a corrente.


O caminho da Pousada até o Pico do Monte Negro é bem curto e bonito. Passei por algumas porteiras e algumas subidas pra chegar.
Sem o peso dos alforges e do barro, o avanço foi mais tranquilo.


Depois de várias subidas, a paisagem pedregosa começa a ficar um pouco mais verde e convidativa.



E eis que de repente tudo fica plano. Um grande tapete verde e marrom, hora seco, hora encharcado por pequenos veios d'água, vai te guiando para a borda do cânion.


Uma das paisagens mais bonitas que eu já pude ver com minha guerreira, a Só no Girinho.


Logo que cheguei, apareceu um cachorrinho que ficou me rodeando...brinquei um pouco com ele e até consegui tirar algumas fotos!




O cachorrinho se mandou e eu fiquei completamente só, olhando pra imensidão do cânion.



Lembro-me claramente de sentir aquela deliciosa e inebriante sensação de paz e tranquilidade.

Fiquei um longo tempo sentado nessa pedra, junto a SnG, contemplando aquela maravilha em completo silêncio, pensando na Vida, no Universo e Tudo Mais (só os entendedores entenderão).

Depois do meu "momento filosófico", me levantei e segui tirando fotos!
Apesar de não chegar nem perto do que se poderia chamar de "fotógrafo", fiz um bocado de imagens que considerei bonitas, mesmo sabendo que não possuem nenhuma técnica.









Não há muito o que dizer sobre o tempo que passei tirando essas fotos...tanta coisa cruzou minha mente que tentar colocar em palavras seria considerado loucura!

Quando me dei por satisfeito (e bateu aquela fome), decidi que era hora de voltar!

Atravessei novamente o tapete de grama até a estradinha pedregosa. No meio do caminho, encontrei um grupo de tropeiros a cavalo.



Vários deles pararam pra "dois dedinhos de prosa". Um grupo bastante simpático e bem heterogêneo: moças e rapazes, crianças, jovens senhores e senhoras e até alguns mais velhinhos...deviam ser entre 40 e 50.

Depois de passar por esse pessoal, segui sozinho pelo caminho. Ao chegar próximo à pousada, vi um grupo de pessoas fazendo uma bela farra na varanda.
Mas apesar da curiosidade, decidi que tentaria ir até algum outro ponto turístico. Enquanto pedalava, verificava no GPS onde poderia ir, mas percebi que teria de girar mais de 20km só pra chegar ao destino. Fiz umas contas e concluí que chegaria muito tarde à Pousada, então acabei dando meia volta.

Ao chegar, o animado grupo me cumprimentou e começou a perguntar sobre o que eu estava fazendo com uma bicicleta naquele "fim de mundo".
Prometi que explicaria tudo depois de um bom banho (tava muito suado/fedido pra interagir com "civis").

Banho tomado, começamos a prosear! O grupo era da cidade de Araranguá/SC e todo ano eles se reúnem na Pousada pra "passar frio" juntos. Segundo me disseram, aquele era o quinto ano que as famílias faziam esse "passeio de inverno".

Interagi com praticamente todos do grupo, mas obviamente acabei "caindo na zoeiragem" dos homens. Eles fazem parte de um Jeep Club em Araranguá, então pensem o quão baderneiros esses jovens senhores eram...

Pico, Alemão, Zé da Gravata, Dalton, Vila, Roberto & Cia Ltda (perdão por não lembrar todos os nomes), todos muito brincalhões. Não precisa dizer que a logo já estávamos dando apelidos uns aos outros...eu acabei sendo chamado de "Paulistinha".

A noite, depois do jantar, fizemos uma bela bagunça na sala comum da Pousada. As senhoras vendo a novela e "tricotando", os jovens jogando WAR, as crianças correndo pra cima e pra baixo e os homens zoando, bebericando e cantando, acompanhados pelo violão do Zé da Gravata.







Fiquei extremamente emocionado quando o Zé me ofereceu uma música de sua autoria, que falava sobre a vida na estrada...muito bonita de se ouvir! Pena que o vídeo não ficou bom o suficiente pra colocar aqui...

Mas nem tudo são flores. Rolou a zoeira coletiva! Os caras foram até o celeiro e suspenderam minha barraca numa das vigas do telhado.
Segundo o Vila (figuraça que eu apelidei de "Catarina"), era pro "Leão Baio" não me comer...vê se pode?

E se você tá achando pouco, ainda pegaram as roupas que eu tinha deixado penduradas pra secar e deram nós! Bando de malucos! kkkkk

Me senti entre velhos amigos, como se conhecesse essa galera há décadas! Ter sido acolhido pelo grupo foi uma das coisas mais fantásticas que me aconteceram nessa viagem.

Foi tão bacana que o pessoal ficou insistindo para que eu desviasse meu caminho, que era seguir para Cambará do Sul e São Francisco de Paula pra depois descer em direção a Canela e Gramado, pra ir jantar com eles no Jeep Club de Araranguá, numa terça-feira. Eu disse que até nossa despedida eu decidiria sobre isso...

E depois de tanta bagunça, resolvemos que era hora de dormir!
Voltei ao celeiro pra desamarrar minha barraca, ajeitar minhas tralhas e dormi, mas antes me certifiquei que as portas do celeiro estavam bem travadas, por precaução. Como todos sabem "the zoeira never ends". kkkk


E assim foi o dia!

Pra quem quiser o tracklog e estatísticas: http://www.strava.com/activities/169871033

Até o próximo post!

¡Brazo!

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