terça-feira, 28 de setembro de 2010

São Paulo/SP - Paraty/RJ - Parte 0

Quarta-Feira, 15/09/2010. Estava eu, deitado em minha cama (férias é realmente uma benção!), cochilando um pouco (se a memória não me falha) quando o telefone toca, com o Sr. Einstein no outro lado:

-Alô Tux?
-Fala Einstein...blz? Eu tava tirando um cochilo...
-Hehehe, Putz, desculpa ai...
-Que isso...O que você manda, Mestre?
-Vamos viajar?
-Pra onde, meu bom?
-Sei lá, pra onde você quiser! Queria ir pra um litoral qualquer, sei lá...
-Mas quando?
-Qualquer dia a partir de amanhã. Só tenho compromisso na quinta-feira que vem. Vamo aí?
-Ah...vamo embora!
-Hahahahaha!
Nesse momento, me vieram à cabeça as viagenns que o João Barreto fez à Ilhabela e o Waldson fez à Paraty. Não deu outra:
-Vamos pra Paraty?
-Vamos!!!
-Vou traçar mais ou menos o roteiro no Maps e te mando à noite.
-Beleza!
-Bjunda!

Menos de meia hora depois mandei um um email c/ o rascunho do que seria o nosso roteiro, saindo de SP, indo pra Paraty.
A partir desse email, trocamos alguns outros, discutindo o que levar de bagagem, o que precisariamos comprar para acondicionar a tal bagagem, entre outros detalhes.

Na sexta-feira, por volta das 12hrs, O Sr. Einstein buzina em meu portão, e tem início o Dia 0.

Bikes dentro do carro do Dr. Einstein.


















Vocês vão perguntar: Porque Dia 0? Esse dia foi uma saga, que tinha como objetivo buscar um par de bagageiros de canote, uma bolsa de guidão e uma bolsa pro bagageiro.
Fomos à Decathlon da Marginal Pinheiros, vimos alguns bagageiros, mas isso não nos animou muito. 
Daí eu sugerí que fossemos à BikeTown para caças os itens que citei acima, mas também dar uma olhada na Fuji Absolute 2.0/3.0, bikes híbridas com grande potencial para cicloturismo.

Pois bem, ao chegar à loja, ficamos olhando alforjes, bagageiros, etc...daí quando fomos atendidos, pedi pra ver a tal bike. Fiquei encantado c/ a magrela, mas não estava disposto (nem munido de cascalho) para comprá-la, mas Einstein ficou com os olhinhos brilhando.
Depois de tantos elogios e de especular sobre as possibilidades de transformação da bike para os nossos propósitos, o rapaz não se conteve:
-Ah, véio...vou levar essa pˆ&ˆ%$
-Tá de sacanagem?
-Não, véio...vou levar!

Depois de namorar bagageiros, alforjes, farois, sapatilha, pedal, etc e tal, saímos da loja em busca do meu simples bagageiro e de um bar end shifter 9v, que seria usado pra trocar a direção da Fuji (guidão flat) por um guidão drop.

Rodamos um bocado, ligamos pra várias bikeshops, mas não achamos o tal shifter. 
Cheios de fome, desencanamos e fomos ao Kone, pra degustar maravilhosos Temakis e outras delícias da culinária Japonesa/Paulista.
Abastecidos, fomos buscar meu bagageiro flutuante na Sunny Bikes, e mais ou menos as 18:30 o pessoal da BikeTown nos ligou, pra buscar a bike já customizada, exceto pela direção, que não teve jeito, ficou c/ guidão flat.

Detalhes conferidos, alforje escolhido, negócio finalmente fechado, voltamos pra casa do Einstein pra arrumar as coisas. 

Chegamos lá e o Einstein já começou a arrumar a bagagem nos alforjes, balanceando calmamente a carga. Com tanto espaço disponível, não preciso dizer que ele caprichou!

Olhem só como ficaram as duas bikes:


















Obviamente ficamos excitadíssimos com as possibilidades, mas ainda não tinhamos um roteiro bem definido, principalmente no que tange à nossos pernoites.
Face a esse pequeno problema, não pensei duas vezes: Liguei pro meu Guru/Amigão/Cicloturista, o sempre solícito Sr. Waldson Gutierres, vulgo Antigão. (http://pneunaestrada.blogspot.com)


















Conversamos por uns 20 minutos (ou mais) e ele se comprometeu a nos enviar uma lista de pousadas/campings ao longo do caminho.

Assim que terminei a ligação, a palavra "camping" nos enlouqueceu. Ficamos pilhados, loucos para (nas palavras do Einstein), colocar "emoção" na viagem. Pois bem, resolvemos que iríamos de barraca e ficaríamos em campings.

Próximo passo, ligar pro Elcio! Durante as compras, lembramos que iríamos no sábado, então o Elcio poderia fazer pelo menos a primeira perna do passeio. Ligamos pra ele e, naquele momento, ele se mostrou interessado, mas nos ligaria pra confirmar.
Por volta das 21hrs (penso eu) conseguimos falar c/ ele, mas o salafrário (brincadeira, brother) se esquivou, dizendo ter outros compromissos e tal...
Entendendo a situação, ainda assim pedimos à ele que nos emprestasse a sua famosa barraca de camping de 6 lugares.

Tudo (mais ou menos) acertado, hora de comer algo. Fizemos um macarrão e, depois de comer, começamos os preparativos pra dormir. 
Combinamos que acordaríamos por volta das 5 da manhã. 

Einstein pro seu quarto, eu no sofazinho, devidamente "customizado" pra ser meu berço...puxei o ronco!
Bien, pra mim foi dormir mesmo, mas o Sr. Einstein, tava pilhadáço...segundo ele, só foi cochilar um pouco perto as 4 da manhã.

Enfim...o que vem daqui pra frente já pertence ao Dia 1!

Até lá!




São Paulo/SP - Paraty/RJ - Parte 1

O relógio despertou as 5 da manhã, conforme programado. Eu enrolei uns minutos, pensando que o Einstein iria levantar primeiro, mas vi que não tinha jeito. 



O negócio era levantar e tomar uma ducha, enquanto o Cientista despertava.

Assim começou o dia 18/09.

Logo que tomei banho e me troquei, o Einstein saiu da cama e começou seu processo de arrumação.
Tomamos um rápido café da manhã e partimos pro que seria o primeiro de 4 dias de viagem.

Decidimos que o caminho que faríamos inicialmente seria pegar a Marginal Pinheiros, Cebolão, Marginal Tietê até a Ayrton Senna, com uma parada na casa do Elcio pra pegar a barraca de camping.

Tudo pronto! Hora de começar o pedal. Saímos as 6 da matina.

Paradinha pra fotinho inaugural do passeio. Primeiro o Einstein:


















Depois esse que vos escreve:


















Começamos a descer a rua, pra alcançar a Marginal Pinheiros. Nessa parte, tudo relativamente tranquilo. O negócio ficou feio depois que pegamos a Marginal Tietê.
Pedal tenso, muito tenso. A gente não se sentia confortável em canto algum. Fomos seguindo, com todo o cuidado possível e toda a indignação imaginável pela via.
Em um dado momento, o meu pneu traseiro furou, pouco depois de termos atravessado para a pista local, mais à direita.



















Câmara trocada, pneu inflado, hora de seguir, sempre cheios de tensão e cuidado. 
Essa sensação só nos deixou quando finalmente pegamos a Rod. dos Trabalhadores. Alí sim, sentimo-nos seguros, pois o acostamento é bom, não tem aquele monte de acessos e os carros não passam lambendo nossas pernas.

Olha só como ficamos felizes quando saímos daquele desespero:




































Seguimos num ritmo bom, sem problemas. O clima estava nublado, propício pra uma pedalada longa.
Quando chegamos perto do KM 20, em frente ao Posto Rodoviário, o Einstein tem a brilhante idéia de ligar pro Elcio, pra pedir que ele traga a barraca de camping até algum lugar da rodovia, ao invés de irmos até a casa dele, o que nos custaria um tempo absurdo.
Liguei pro Caríssimo, que prontamente se comprometeu a levar a barraca no KM 26. 


















A partir daí, fomos bem na maciota, pra dar tempo do Elcio chegar ao ponto de encontro. Ao chegarmos no KM 26, nos sentimos extremamente vulneráveis, pois perto da passarela há uma comunidade carente e já sabemos muito bem que, embora haja uma grande maioria de pessoas de bem, sempre tem uns "maus elementos". Liguei pro Elcio de novo e marcamos um novo ponto de encontro, pertinho do anterior.

Depois de uns 25min. de espera, eis que o Sr. Frielcio chega, pra nossa alegria!
Olha a cara do malandro que acabou de acordar:


















Além da barraca, ele também tirou fotos pra gente:


















Zarpamos, com um pequeno desconforto: a barraca não ficou bem em meu bagageiro. Eu ficava batendo a coxa na carga. 
Então, Einstein e eu combinamos que ele carregaria a barraca, assim que chegássemos ao famoso posto no KM 29.

Chegando no posto, que é parada obrigatória pra Motoqueiros, Cicloturistas e demais viajantes, remanejamos as bagagens e paramos pra comer.




































Depois de carregar nossas energias, voltamos à estrada, mas percebemos que o tempo estava ficando cada vez mais fechado.
Apesar disso, não desanimamos. Logo chegamos à rodovia que vai à Mogi das Cruzes. 
Nessa rodovia, não teve jeito, colocamos as nossas capas de chuva/conta-vento e seguimos até o posto onde eu assisti ao jogo Brasil x Portugal no jogo da Copa. 
As meninas que lá trabalham logo me reconheceram. Batemos um papo, enquanto tomávamos um cafezinho esperto. Sabíamos que a partir dalí a coisa ia ficar um pouquinho mais difícil.
Começamos a subir as ladeirinhas que nos levariam a Rodovia Dom Paulo Rolim Loureiro e logo começou a chuviscar.
Esse chuvisco acabou virando uma chuva fina e gelada. Quanto mais chegávamos perto da serra, pior ficava.
Conforme subíamos, o Einstein se impacientava com a distância que faltava pra chegar à descida da serra e com a friaca que fazia.

Finalmente a decida chegou, mas com ela uma forte neblina que nos tirou quase que toda a visibilidade e a segurança. 
Milagrosamente, um caminhão-tanque com problemas no freio estava à nossa frente, descendo numa velocidade chorada, menor que 15km/h.
Curiosamente, a placa do tal caminhão era CRY 9107.
Fomos na traseira desse caminhão o tempo todo. Foi ótimo, pois como a descida da serra não possui acostamento, não havia a menor possibilidade de acontecer qualquer acidente, estando devidamente protegidos pela baixa velocidade e o calor do caminhão.

Terminada a serra, chegamos ao trecho onde existe um retão de (penso eu) uns 10km de falso plano, onde conseguimos desenvolver uma boa velocidade.

Ao chegar ao posto rodoviário que serve de marco para os que vão pegar a rodovia sentido Bertioga e os que vão pegar o acesso à São Sebastião, pegamos o caminho que nos levaria à Boiçucanga. 

Nesse ponto, já estávamos com fome. Ficamos animadáços ao vislumbrar um McDonalds (tá bom...McDonalds e via saudável não andam na mesma via). Mas ao chegar ao restaurante, fomos "impedidos" de deixar as bikes junto à loja, pois essa possuía um bicicletário (inseguro, diga-se de passagem).
Depois de discutir c/ um funcionário e o gerente, resolvemos seguir sem nada consumir no restaurante do "Payaso Cabron" (Ska-P - McDollar...quem não conhece, deve ouvir!)

Antes de sair do Mc, perguntamos a um dos clientes se Boiçucanga ainda estava longe. Quando o homem disse que faltavam uns 35km, resolvemos que iríamos até Boraceia, já que era tarde e não queríamos montar a barraca no escuro.

Mandamos bala até Boracéia e encontramos um tal de "Camping Beira Mar".
Entramos pra ver a estrutura e não nos animamos muito. Mas face ao cansaço e a preocupação com o horário, entramos nesse mesmo.








































A estrutura é muito precária. O banheiro masculino estava infestado de mosquitos, era malcheiroso, mas o tal camping ficava de frente à uma padaria que nos serviu de posto de abastecimento.

Eis a barraca armada (com todo respeito):


















Depois de montar a barraca, fomos pro desafio de tomar banho. Mesmo com a estrutura precária, tomamos banho e caimos pra dentro da barraca.
Logo começou a chover e ficamos um bom tempo, ajeitando as coisas, decidindo o que comeríamos, etc. 
Assim que a chuva passou, eu fui à padaria, pra comprar pão frances, peito de peru/mussarela fatiada, agua, refri e algumas outras guloseimas, pois decidimos que seria ali mesmo que comeríamos.

Além dos comes/bebes, trouxe algo que nos ajudaria bastante (mas não resolveria) no problema do frio: jornais.
Forramos o chão com jornais e depois colocamos um lençol por cima, para garantir que não morreríamos de hipotermia.
Ajudou, mas não resolveu, é claro. O Einstein colocou praticamente todas as roupas que ele tinha disponível. Eu até que fiquei bem com uma blusa, o corta-vento e uma espécie de touca, cobrindo as orelhas.

Comemos, batemos um papo e logo caímos no sono. Não foi uma noite fácil. O frio e o desconforto de não ter levado um saco de dormir foram coisas complicadas de lidar.
Apesar dos pesares, dormimos um pouco pra continuar no dia seguinte: Boracéia/Ilha Bela.

Fim do Dia 1!

Os dados sobre o Dia 1:
Distancia São Paulo/Boracéia - 154,67km
Média - 20,9km/h
Velocidade Máxima: 52,9km/h
Tempo de pedal: 7:22'26"

São Paulo/SP - Paraty/RJ - Parte 2

Que noite dificil, mal dormida e friorenta.

A chuva nos deixou com muito frio, o chão extremamente desconfortável e as horas de sono foram insuficientes pra nos dar descanso.

Ainda assim, acordamos no outro dia com alguma esperança. Abriu um dia nublado, mas com um pouco de sol.
Olha as caras dos malandros, acordando de uma noite mal dormida:




































Enrolamos entre o café e a arrumação um bocado.
Fora que além de arrumar as bagagens e desmontar a barraca, ainda tivemos que lavar/lubrificar as bikes
pois a chuva do dia anterior as deixou em estado de calamidade.

Trocamos de roupa, limpamos as bikes, arrumamos as tralhas e finalmente desmontamos a barraca em ritmo tranquilo. Nada de pressa. Afinal, temos só 70km até Ilhabela, certo? Vai ser moleza!

Olha aí eu, limpando a barraca:


















Terminamos de montar tudo, colocar nas bikes e nos aprontar pra sair por volta das 10:30. Nos certificamos de sair do camping com a nossa bagagem protegida da chuva, já que o tempo ainda estava um tanto fechado, chuviscando por várias vezes ao longo do dia.

Antes de sair, uma fotinho pra marcar nossa saída:



















Saímos do tal camping infernal e fomos até a padaria em frente, pra tomar um cafezinho antes de continuar.
Afinal, será moleza! Não há razão pra pressa...são só 70km até Ilha Bela, certo?

É...mais ou menos. Esse dia reservava uma grande surpresa: esquecemos de conferir com mais cuidado a altimetria entre Boracéia e Ilha Bela e fomos surpreendidos pela linda e dificílima Serra de Maresias.

No começo, estávamos girando fácil, ritmo tranquilo, apesar do excesso de peso.
Olha a carinha de alegria do Einstein, puxando seu "caminhão":



















Também pudera: Olha só a paisagem...não há como fazer cara feia!


















Até que, finalmente chegaram as ladeiras. Sim, amigalhes e amigolhes...a coisa ficou complicada.
A gente começou a subir, já bem preocupado a primeira sequencia. E cada curva que fazíamos, a inclinação aumentava.
Einstein com um peso absurdo e eu, com um peso razoável, mas com relação de estrada, imprópria para aquele tipo de coisa.
Eu não podia perder o giro, então acabei tendo de fazer força e fui subindo na frente. Chegou um ponto onde as pernas tremiam, o coração vinha à goela, o pulmão queimava...parei e deitei no chão!
Aproveitei pra esperar o Einstein, que vinha logo atras...bem não tão logo assim...ele também parou num ponto da subida pra tomar fôlego. Voltou pra bike e subiu até onde eu estava:


















Quando me viu parado, deitado tirando essa foto, esboçou um esforço de continuar, mas foi vencido pela inclinação. Parou!

Conversamos um pouquinho e decidimos que não tinhamos que nos sacrificar, afinal aquilo não era um treino de montanha. Não nas condições de peso que estávamos.
Resolvemos empurrar:


















Olhamos pra tras pra ver o que havíamos vencido até aquele momento:


















Seguimos empurrando por um bom tempo. Na nossa conta, metade da serra, +/-.
Depois de vencida essa parte, voltamos a montar nossas magrelas, com intenção de não mais empurrar.
Tiramos umas fotos no topo, descemos e chegamos, depois de muitas lindas paisagens, à Maresias.

Lá, passamos por uma casa de carnes nobres, onde resolvemos parar pra comprar agua e perguntar a km até a balsa para Ilha Bela.
Fomos avisados que teríamos mais subidas e 30km de distância. Dentro da tal casa de carnes, havia um jovem senhor argentino, que perguntou pro Einstein se ele era seu "hermano". Trocaram algumas palavras e fomos pra fora, encher as caramanholas, comer um salgadinho pra prosseguir, mas percebemos que o tal cara entrou numa loja praticamente ao lado. Ao ver do que se tratava, vimos que era uma casa das deliciosas Empanadas Tucumanas.


















Olha eu aí, esperando a delícia (meio descabelado, como não poderia deixar de ser):


















Depois de experimentar uma deliciosa Empanada de Carne, com molhinho picante e tudo mais, batemos um papo com o pessoal da loja. Trata-se de uma família de Argentinos muito simpáticos, de sorriso fácil e boa conversa.

Hora de seguir em frente, fomos subindo mais um pouco e passamos por um dos lugares mais lindos da viagem.
Acho que essas duas fotos mostram bem a beleza do lugar. A foto que tirei do Einstein IMHO foi a mais legal de toda a viagem. Me senti um fotógrafo profissa. Mas também, com aquela paisagem, qualquer sacripanta (como esse que vos escreve) consegue tirar uma bela foto, não?





































Mais um bocado de belas paisagens e finalmente chegamos à balsa. Eu queria poder colocar todas as fotos aqui, mas mesmo assim não descreveria nem um pentelhésimo do que eram as paisagens.

Chegamos de demos sorte grande: a balsa estava pra sair. Embarcamos rapidamente:




































Depois de 15 minutos de travessia, chegamos à tal Ilha Bela. Realmente é uma beleza de lugar.
Fomos rapidamente pro camping que nosso caríssimo Waldson indicou.

Fomos recepcionados pela Alani, uma garota bastante tagarela e brincalhona.
Imaginem só: Ela ficou olhando pra nossa cara, com jeito que eu já sabia que ia "dar m$%#5": sairia alguma bobagem.

Ela ficou com aquela estória de "posso perguntar algo pra vocês?",  "melhor não...deixa pra lá...".
Já sacando o que viria, eu que sou um cara ligeiro e não ligo pra brincadeiras, logo soltei:
"Já sei o que você quer saber: Você quer saber se a gente é um Casal Gay, certo?"
Não preciso dizer que Einstein, Alani e eu caímos na risada. Ela ficou tentando se justificar e acabou sobrando pra mim o estereótipo.
Cai tanto na onda que resolvi tirar uma foto de carater duvidoso, só pra ilustrar a situação "engraçaralha":


















Perguntamos quanto custava a diária pra montarmos nossa pesadíssima barraca: 25 lelecos per capita. Como ia fazer frio, perguntamos se eles alugavam colchonetes: 5 lelecos per capita. Mas logo ela sugeriu algo que nos fez mudar os rumos da viagem: Ficar num trailler. Sairiam 30 lelecos per capita e teria uma série de benefícios, como energia elétrica pra carregar nossos gadgets, um varalzinho pra estender nossa roupa, duas camas grandes, etc e tal. Aceitamos na hora!

Fomos ver o tal trailler. Olha que negócio da China:






















































Tudo devidamente guardado no trailler, hora de conhecer e usar os vestiários/banheiros do Camping.
A estrutura desse camping é espetacular. Tudo bem asseado e organizado, show de bola.

Tomamos banho e lavamos as roupas molhadas/sujas do primeiro dia. Isso fez muita diferença pra gente, pois além de aliviar o peso, nos daria uma vantagem logística: não ter de carregar a roupa suja separadamente.


















Depois disso, jantinha! Eu me rendi à pizzaria que há dentro do camping. A pizza é boa, mas eu não sou muito fã, então comi pouco. Logo que jantamos, resolvi dar uma volta, comprar uma guloseimas e tal.
Passei na recepção pra me informar sobre os comércios e acabei ficando meia hora batendo papo.
Fui ao mercadinho, comprei as tais guloseimas e voltei pro Camping, dessa vez pra 2 horas de papo.
A Alani é tão tagarela quanto eu, então ficamos lá, contando "causos" do camping, do ciclismo e de tantas outras coisas.
Quando voltei pro trailler, Einstein já estava cochilando.
Batemos um papo e eu sugeri uma revolução: Despachar a barraca e os demais apetrechos para acampar via Correio.
Ele topou na hora. Fez uma pesquisa básica de quanto custaria o envio, enquanto eu voltei a falar c/ a Alani, afim de saber onde ficava o Correio.

Tendo decidido sobre o despacho do peso-extra e descoberto onde era o Correio, hora de dormir um pouco!

Fim do Dia 2!


Os dados sobre o Dia 2:
Distancia Boracéia/Ilha Bela - 69,11km
Média - 16,7km/h
Velocidade Máxima: 58,10km/h
Tempo de pedal: 4:07'36"

São Paulo/SP - Paraty/RJ - Parte 3

É de manhã! Eu acordei cedinho, mas o Einstein ficou tão encantado com o trailler que não queria acordar. Queria aproveitar ao máximo o merecido descanso, já que na noite em Boracéia ele dormiu muito mal, passou frio e carregou durante todo dia um grande peso.

Aproveitei pra tomar uma ducha, arrumar minhas coisas, dar uma pequena volta...
Quando voltei pro trailler, ele já estava ensaiando levantar.
Arrumamos nossas tralhas e saímos perto das 10hrs.


















Olhem a cara do Einstein, já sabendo que teria menos peso pra carregar:



















Na frente da recepção:
















Fomos rapidamente aos Correios, pegamos senha e aguardamos alguns minutos, imaginando que lá mesmo eles embalariam nossa encomenda: Ledo engano. A moça do caixa nos instruiu a ir numa papelaria próxima e fazer a embalagem dos itens para serem despachados.

Encontramos a papelaria e começamos o processo de embalar as tralhas:
















Obviamente o pessoal na papelaria ficou curioso pra saber mais sobre a viagem.
Contamos o nosso "causo" e fomos aos Correios novamente pra fazer o despacho.



















Fomos rapidamente atendidos e tivemos a libertação (sim...essa é a palavra que melhor descreve a situação) de 9kg, sendo barraca, lençóis, toalha de banho e uma mochila.
O preço? Quase 40 lelecos. Valeu cada centavo! hehehe!

Saimos dos Correios, paramos numa padoca pra um cafezinho e seguimos pra balsa, que saiu as 11:30hrs.

Ao sair da balsa, pegamos o rumo pra Ubatuba, com um belo sol!
Paramos numa praça e tiramos fotos com uns canhões (não se tratam de mulheres feias...são literalmente canhões, blz?)


































Seguimos pela ciclovia até pegar a estrada de novo. Durante o caminho, paramos num barzinho pra comprar agua e vimos que SP estava um caos, por conta de um problema no Metrô.

Com o alívio de estarmos livre daquele infortúnio, seguimos viagem.
Em Caraguatatuba, passamos por uma bela ciclovia, digna de parar pra fotografar.

































O pedal seguiu bem, com muitíssimas paisagens bonitas.
Paramos num posto de combustíveis para comprar agua, usar o banheiro e logo cruzamos o limite dos municípos de Caraguá/Ubatuba.

















Dessa placa pra frente, foram pouco mais de 20km (se a memória não me falha) até chegarmos no perímetro urbano da cidade.

Obviamente, paramos em vários lugares pra tirar fotos, mas o que mais me impressionou foram as lindas embarcações ancoradas:
















Rodamos até o centro da cidade. Dessa vez, invertemos a ordem das coisas: resolvemos primeiro comer, depois encontrar uma boa pousada pra ficar.
Andamos pela ciclovia, que por horas era maravilhosa, e de repente ficava ruim, depois melhorava, enfim...até encontrarmos um Restaurante Chinês que nos chamou muito a atenção.
































O "Seu China", um tiozinho magrinho, Chinês de verdade, veio nos atender na porta do restaurante. Com um Português sofrível pra entender, perguntou sobre as bicicletas, de onde vínhamos, etc e tal.
Nos arrumou uma mesa e nos sugeriu o prato, sempre bastante atencioso e curioso.

Fizemos o pedido do "Chapa Quente Família Feliz", um grupo de pratos que servem de 2 a 3 pessoas. O que pedimos era um imenso Yakissoba numa chapa quente de verdade. Quanto o prato chegou...
































Nem preciso dizer que a gente destruiu, né? Comemos o Yakissoba de forma voraz! Isso sem falar nos Camarões Empanados...gigantescos! ;)

Depois de jantar, comprar até os Hashis (ele até nos ensinou a falar o nome em Chinês, mas eu não saberia escrever corretamente, então desencanem...ahaha), fomos em busca da pousada.
O "Seu China" até nos indicou a pousada de seu cunhado, mas acabou que voltamos e escolhemos uma outra, bem no centro, de frente pro mar e pertinho de um Quiosque! Afinal, tinhamos de dar uma bebericada!!!

Entramos na pousada, arrumamos as coisas, e depois do merecido banho, fomos comer isca de peixe e bebericar! Afinal, no dia seguinte faríamos o ultimo trecho da nossa jornada!
















































Conversamos um bocado, inclusive com os tiozinhos do quiosque, voltamos pra pousada e nos programamos pra ver um debate de candidatos ao Governo do Estado de SP.
Bem...não preciso dizer que acabamos dormindo e o debate foi pras cucuias! ;)


Fim do Dia 3!

Os dados sobre o Dia 3:
Distancia IlhaBela - Ubatuba - 86,49km
Média - 18,9km/h
Velocidade Máxima: 57,6km/h
Tempo de pedal: 4:34'29"