sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Cicloviagem de Férias 2011 - Parte 01


Prólogo

Estava tudo planejado para ser uma viagem solo.

Ao mesmo tempo que a idéia me agradava, também me preocupava. Mas não deixei que isso me tirasse a coragem e a vontade de fazer essa viagem.

Faltavam quase trinta dias pra viagem, mas coisas ainda não estavam 100% resolvidas, pois o garfo da Só no Girinho estava aguardando substituição, ainda faltava fazer uma boa revisão, eu precisava rever o planejamento...mas vamos lá, há tempo de sobra.

Na semana em que recebi o garfo, postei uma foto no Facebook e, entre os comentários que lá foram postados, surgiu um diálogo entre Pedro Ruck, o Ciclista Calhorda e eu:

Pedro Opa, 17/10 estarei entrando de férias tb, me passa maiores detalhes... Quem sabe não encaro um ciclotur...


Eu Fala aí, Pedro! Dia 17 eu saio de Barueri, vou até Joanópolis, no dia seguinte até Pouso Alegre e finalmente até São Thomé das Letras. Aí fico na cidade até domingo e volto de ônibus, chegando na segunda as 6 em SP. Tem coragem!?!? ;)


PedroInteressei... Rola ir de road??? Me manda os detalhes por e-mail e agente vai se falando...


Imediatamente enviei-lhe um e-mail com os detalhes que eu tinha recolhido durante o planejamento: arquivos .KML (Google Earth) com as altimetrias dos trechos e com os pontos de interesse em São Thomé das Letras (STdL), enviado pelo amigo do Fórum o W0LVER1NE_MG, entre outras coisas que julguei importantes.
O aceite veio logo em seguida, e a partir daí, comecei a dar algumas dicas pro Pedrão, já que essa seria sua primeira Cicloviagem.

Confesso que fiquei bastante surpreso pelo interesse do Pedro na viagem. Mas as surpresas ainda não haviam acabado: O Pedro foi procurar o João (Mr. John, como costumo chamá-lo) para perguntar-lhe sobre um bagageiro de canote e não é que acabou virando o terceiro integrante da Cicloviagem?

Eu sinceramente não me lembro qual dos dois me ligou falando sobre a "entrada" do João na viagem, mas a notícia foi muitíssimo bem recebida, já que o ele é um companheirão de viagem e um dos primeiros amigos de Pedal que fiz.

Vários e-mails e ligações foram e voltaram, local e data de saída foram alterados, enfim...algumas adaptações necessárias às novas circunstâncias.

E eis que chegou a véspera da viagem.

Capítulo 01

De São Paulo à Joanópolis

Era uma segunda-feira, 17 de Outubro. Minha Namorada e eu voltávamos de uma viagem que teria em seu roteiro um pedal à Serra de Maresias, mas a chuva que começou no sábado, não deu tregua.

Viemos do Guarujá pra Barueri e, entre um assunto e outro, falava-lhe sobre a ansiedade da viagem, das coisas que precisava arrumar, etc...
Chegando a casa, tentei deixar a ansiedade de lado pra descansamos da viagem. Funcionou bem, mas logo que ela foi embora, a ansiedade voltou e tive de começar imediatamente a arrumação: encher os alforges com as roupas e outras coisas que já estavam listadas em minha cabeça, últimos retoques na regulagem da Só on Girinho...etc, etc, etc.

Terminada essa parte, jantei e esperei o sono vir...

Foi uma noite difícil pra dormir. Essas viagens sempre me deixam ansioso, então ataquei um pote de sorvete e assisti alguns seriados antes de finalmente pegar no sono.

Dormi perto das 23hrs e acordei as 3:30hrs, já que havíamos combinado de pegar uma carona na Van do cunhado do John, o Bita. Ele passaria em Cotia pra pegar o Pedro, viriam pra Barueri pra me pegar, para finalmente sermos deixados na Estação Tucuruvi do Metrô.

Me propus a ir pedalando de casa até a Praça das Bandeiras (em Barueri), mas logo que saí de casa, o rolou um imprevisto: minha corrente estourou numa subidinha.

Que baita azar, pensariam os pessimistas.
Mas como sou otimista, pensei "nossa, que sorte que estou tão perto de casa". Corri até a casa, peguei um PowerLink (emenda de corrente), instalei na bike e logo voltei pro pedal.

Como aconteceu do Bita também atrasar um pouco pra pegar o Pedrão, cheguei uns três minutos depois que eles chegaram ao ponto de encontro, sem prejuízos pra ninguém.
O único infortúnio do atraso é que o Bita precisava chegar cedo ao seu trabalho, então nossa carona foi encurtada: Ao invés da Estação Tucuruvi, fomos deixados em frente ao DEIC.

Passamos um tempo arrumando alguns detalhes dos bagageiros do John e do Pedrão, mas logo colocamos tudo em ordem e começamos a pedalar por volta das 6:20hrs.

Foram só 5km de diferença entre um local e outro, somados a uns 10km até o fluxo de carros diminuir. Como era um dia útil, o transito matinal causou um pouco de tensão em todos nós.

Foi só quando começamos a subir a Av. Sezefredo é que o volume de carros caiu a quase zero e pudemos nos sentir mais tranquilos.

A estrada é velha conhecida do João e minha, embora eu a tenha visitado mais recentemente.

Subimos conversando bastante, mas as vezes nos distanciávamos um pouco, para que cada um colocasse o ritmo mais adequado na subida.

Ao chegar no limite do município de Mairiporã, paramos para algumas fotos na manjada placa:

Pedro Ruck e João Carlo
Eu e as bikes na placa de Mairiporã
Pegamos uma deliciosa decida que nos leva até a parte urbana de Mairiporã, passando ao lado da Fernão, até chegar a bela Estrada do Rio Acima.

Um trecho bacana de se pedalar, com pouco movimento de carros e bom asfalto.

Tiramos bastante fotos em movimento durante esse trecho, pois sentia-mos seguros com o pouco fluxo de carros na estrada.

John só sorrisos na sua Scott SUB 40

Pedrão com sua Giant TCR Alliance e eu na Só no Girinho
Depois de um bom tempo de pedal, sentimos a necessidade de parar pra um descanso, depois de uma longa subida.

Obvio que depois de uma longa subida...é só seguir a placa!

Todo cicloturista deve AMAR essa placa!
E depois de rodar mais um bom trecho, paramos no finzinho da Estrada do Rio Acima, pra uma descansadinha...

Sempre bom ver essa paisagem!

Oia o sorriso do homi!

Pedrão, "encaixado" nas pedras, pedindo arrego!

Fotinho das 3 Guerreiras!
O Pedrão encontrou uma posição tão confortável naquelas pedras (segundo ele) que disse que poderia ficar ali mesmo!

Mas como ainda tinha muita estrada pra rodar, seguimos viagem. Mais 8km e chegamos à Rod. Dom Pedro I, já em Nazaré Paulista e dalí mais uns 6km até a parada para o merecido almoço.

Paramos num RodoService, que não me lembro o nome, mas um lugar onde passei na outra viagem à Estiva.

Lembro-me de estar com muita fome! Ataquei rapidinho o Self-Service...os caras vieram alguns momentos depois.
John tava tão concentrado no rango que nem me viu tirar a foto!

Depois do rango, um pouco de sol, já que o dia tava frio e passamos o pedal todo com a capa de chuva (apesar de o tempo estar seco).

Pedrão não podia ver pedras que já escorava!
De volta às bikes, pedalando mais uns 4km até a Rod. SP-036, nesse trecho conhecida como Rod. Jan Antônio Bata, entre Bom Jesus dos Perdões e Piracaia.

Foram uns 18km até chegar a cidade. Paramos num posto pra comprar Gatorade e descansar rapidamente, mas logo seguimos até Joanópolis, pela mesma Rodovia, que nesse trecho troca o nome: Rod. José Augusto Freire.

Nesse trecho, todos demonstravam sinais de grande cansaço, já que os três estavam um tanto enferrujados e o sol já estava castigando bastante nossas carcaças.

Paramos umas poucas vezes pra tirar fotos, mas a que nos deixou mais animados foi essa aqui:

João e Pedro, felizes por estarmos chegando.

Eu, Pedro e as bikes
Percorremos esses últimos 10km até a entrada da cidade, onde há um Posto de Informações Turísticas.
O Senhor que nos atendeu disse que haviam bons lugares pra se hospedar, mas indicou o Albergue Casarão, cuja proprietária chama-se Tuca.

Descemos mais 1km até o centro da cidade e de lá até o local indicado, porém pegamos uma rua errada e passamos na frente do Hotel Mantiqueira e resolvemos perguntar sobre o tarifário.
Pedro e eu entramos na recepção e encontramos uma jovem moça:

- Vocês tem quarto triplo? - perguntou Pedro
- Temos sim...custa R$ 70,00 por pessoa com café incluso - respondeu a moça
- Podemos subir com as bikes? - perguntei com um sorriso
- Não podem não...possuímos estacionamento
- Mas o estacionamento tem seguro?
- Não...
- E o que acontece se nos roubarem as bikes?
- Não podemos fazer nada...
- Bem, então temos um problema, né? - insisti ainda sorrindo pra moça
- É temos...então não se hospedem comigo! - respondeu a moça, com tom de ironia
- Ah é...Boa tarde, então! - respondi já sem o sorriso...na verdade com uma cara de poucos amigos!

Pedro eu ficamos abismados com a falta de educação da moça! Onde já se viu tratar clientes daquela forma?
Odeio fazer propaganda negativa, mas se forem à Joanópolis EVITEM o tal Hotel Mantiqueira.

Pedimos informação na rua para uma senhora e nos dirigimos ao local previamente recomendado.

O Albergue Casarão, nada mais é que uma casa antiga,  espaçosa e aconchegante (de um modo simples, é claro).

Logo que chegamos, a Dona Tuca nos recebeu calorosamente. 
Ela nos contou um pouco sobre os frequentadores, nos mostrou o quarto onde ficaríamos e passou o tarifário: R$ 30,00 per capita, mas sem café da manhã.
Como havia uma padaria pertinho, fechamos! Começamos então a colocar as bikes pra dentro da casa e, enquanto um tomava banho, os outros ficavam de papo com a simpática senhora.

De banho tomado e um cheirinho de café no ar, fomos lavar as roupas do pedal.
Eu particularmente não precisava, pois tinha levado roupas de ciclismo suficientes para os dias que ainda tínhamos pela frente, mas o Pedro e o João trouxeram pouca roupa de ciclismo pra economizar no peso, tiveram de faze-lo. No fim, acabei "juntando-me ao coro".

Olha aí o Pedrão dando uma de Amélia
Depois da roupa lavada, a Dona Tuca nos ofereceu o tal cafezinho cheiroso e logo saímos pra dar uma volta e jantar.

Jantar que é bom, não saiu, mas sentamos numa lanchonetezinha, mandamos umas cervejinhas e um belo lanche por volta das 19hrs.

Não eram nem 21hrs quanto todos deitaram. Eu ainda resisti até as 22hrs, mas logo me rendi ao cansaço e dormi que nem criança, afinal no dia seguinte tinha muito mais! :D

E assim encerrou-se o primeiro dia de pedal.

Distância Percorrida: 116 km
Ride Time: 6h31'02"
Velocidade Média: 17,8 km/h
Ganho de Elevação: 1536 m
Perda de Elevação: 1319 m
Baixas:  Nenhuma

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Cicloviagem de Férias 2011 - Parte 00

(publicado originalmente no BioCicleta)


¡Buenas!

Ah, férias...período pra descansar, esfriar a cuca e esquecer por alguns dias as agruras do dia-a-dia profissional.
Tenho falado com meus amigos há algum tempo sobre as minhas férias. Tem gente até que não aguenta mais ouvir falar! hehehe!

Claro que, antes de mais nada, precisava decidir: Pra onde ir?

Eu tinha planos pra ir ao Uruguai, mas meu amigo, o Einstein, precisou se mudar do estado, então resolvi não ir sozinho pra lá;

Pensei em ir à Porto Alegre e de lá descer até o Chuí com outro amigo, o Sr. Waldson, mas ele precisou se afastar temporariamente dos pedais por conta de um problema de coluna, que tenho convicção que será resolvido brevemente;

Pensei em chamar minha Namorada para visitar a região vinícola no Sul, mas ela não estará em férias no mesmo período, então resolvi "guardar na manga" para uma outra ocasião, afinal de contas, parece-me um roteiro mais "romântico" e não poderia desperdiçar esse roteiro sozinho.

Pensei em ir ao oeste do Paraná e dar uma passada em Salto del Guaira, no Paraguai e de lá descer até Foz do Iguaçu, mas me desanimei por conta da quantidade de dinheiro que teria de levar (afinal de contas, fatalmente eu iria querer "muambar").

Dúvidas, dúvidas, dúvidas...
Outro dia, dando uma navegada na internet, vi o álbum de fotos de uma amiga. As fotos eram de uma cachoeira no Sul de Minas: São Thomé das Letras.
Logo me vieram à memória a recomendação de uma grande amiga do trabalho, que ia frequentemente à cidade no passado e já havia me dito maravilhas sobre o local.

Dizem ser um lugar muito bonito mesmo, cheio de cachoeiras, cavernas, grutas e o típico "Misticismo do Sul de Minas".

Não sou um tipo religioso/místico, mas gosto de uma boa prosa sobre o assunto.
Também não sou antropólogo (longe disso), mas acho interessante discutir e aprender sobre as diversas culturas religiosas e os efeitos dela na nossa vida cotidiana.

Decidi: Vou à São Thomé. Hora de montar o roteiro!!!

Só pra lhes situar, São Thomé das Letras está à 400km da cidade de São Paulo.



Um percurso possível de ser feito, sem pressa, em três dias de pedal, fazendo aí uma média de 120km/dia.

Grande parte do caminho (dois terços, pra ser exato) é pela Rodovia Fernão Dias. Eu poderia fazer o caminho inteiro, desde São Paulo até Três Corações pela Fernão, mas acho um pecado desperdiçar um belíssimo caminho que desvia dessa Rodovia, já no primeiro terço.

Conhecido de outras duas belíssimas viagens à Estiva/MG, resolvi que a primeira perna dessa viagem seria por esse caminho:
























Começa na Estação Tucuruvi do Metrô, sobe a Av. Sezefredo Fagundes e vai até Mairiporã, passando pela belíssima Estrada do Rio Acima, Nazaré Paulista, Bom Jesus dos Perdões (pegando um pedaço da Rod. Dom Pedro), Piracaia e finalmente Joanópolis.

A segunda perna será entre Joanópolis, já começando numa bela subida, a "Estrada entre Serras e Aguas", que termina às margens da Fernão Dias, na cidade de Extrema/MG e daí seguindo a Rodovia até Pouso Alegre.




























Essa segunda perna será menos bonita, pois será feita essencialmente pela Rodovia. Apesar disso, parece-me que será a mais rápida, pois apesar do constante sobe-e-desce, dá pra desenvolver uma boa velocidade.

Já a terceira perna, a derradeira, será uma grande surpresa, pois não conheço absolutamente nada a partir de Pouso Alegre. Talvez consiga achar alguma estrada paralela à Rodovia pra poder evitar mais um dia de lufadas dos caminhões e poucas paisagens.





















Notem que já uma pequena montagem na imagem, no trecho entre Três Corações e São Thomé. O Google Maps quase me pregou uma peça, que me faria desviar uns 260km.

No Maps, não consta uma Estrada Municipal que liga as duas cidades, mas no MapSource ela aparece. Como sempre uso os dois programas pra fazer meus roteiros, logo veio a dúvida: Em quem confiar?

Não pensei duas vezes: Recorri ao bom e velho fórum do Pedal.com.br e fui prontamente atendido.
Os amigos de lá validaram o caminho mais curto e me disseram que ele é ótimo, apesar de não haver locais para abastecimento.
Sendo assim, Três Corações será uma parada importante pra me abastecer de água, comer e descansar.

Como disse, em três dias de pedal será possível cobrir esses 400km. Daí é curtir uns três dias de São Thomé e finalmente voltar de ônibus pra casa.

Pra aproveitar sozinho, há que se ter algumas referências. Consegui um arquivo do Google Earth enviado pelo amigo forista, o "W0LVER1NE_MG", que foi muitíssimo gentil em me dar um "mapa da mina", com direito até a referencia de BikeShop em Três Corações, três opções de caminho pra São Thomé e vários pontos de interesse/turísticos.
Quem quiser conferir, clica aqui! (link para o MegaUpload, com um arquivo .KMZ).

Demorou, deu trabalho, mas taí: o roteiro tá pronto.
Desde já, agradeço ao pessoal lá do fórum do Pedal.com.br que me comentou o tópico:
shimono, zetosta, Marcos Roberto, ninocoutinho, Alessandro_sp (esse eu conheço de outros pedais), e especialmente ao W0LVER1NE_MG.

Agora falta arrumar as ultimas coisas na bicicleta, fechar os alforges e cair na estrada.

E que venham as tão esperadas férias!

Abraço e até mais!