sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Dobráveis: Desdobrando a Experiência

Olá Crianças!

Nos últimos tempos, percebo que, mais do que simplesmente "hype", as bicicletas dobráveis estão ganhando um espaço bastante significativo nas ruas.

Hoje em dia não é mais novidade entrar no Metrô de SP (por exemplo) e encontrar alguém com a sua dobrável num canto do vagão, ou ainda pedalar alguns quilômetros em um grande centro sem passar por algumas.

O fato de serem vistas mais frequentemente, criou uma enorme curiosidade nas pessoas, tanto qye eventualmente recebo algum e-mail de alguém perguntando sobre a minha experiência com esse tipo de bicicleta.

A coisa ficou tão interessante que resolvi criar esse post. Não vou entrar no mérito de qual marca é melhor, qual modelo é mais bacana.
Gostaria de pontuar as várias coisas que eu tenho feito com a minha!

Bom, eu comprei minha dobrável em março/2012 e de lá pra cá ela tem ganhado muito espaço no meu dia-a-dia.
A promessa de versatilidade e agilidade tem sido colocada à prova desde os primeiros pedais e até o momento ela não decepcionou nem um pouquinho!
E olha que eu "abuso" bastante!

Quando as dobráveis começaram a se popularizar, enxerguei nelas um enorme potencial para tornar o meu cotidiano mais simples, usando-a para deslocamentos urbanos e fazer pequenas compras de Supermercado, coisas que fazia a pé ou de táxi.

Apesar de possuir outras bicicletas (uma Road, uma Touring 700c e mais recentemente uma MTB 29er), achava bastante inconveniente me deslocar no meio da cidade com elas.

Os primeiros pedais foram basicamente na cidade, para visitar amigos, dar uma esticada nas pernas e ir me acostumando com a pilotagem.

Éowyn recém-comprada: Soul D70
O pedal urbano começou a me encantar. Conseguia agora me deslocar mais facilmente em um dia de tráfego pesado ou em ruas mais estreitas, sem medo de que fosse acertar algum retrovisor.

Com isso, fui integrando a dobrável aos meus pequenos trajetos (que antes fazia a pé). Uma ida ao supermercado, por exemplo, passou a ser algo bem mais prazeroso. Era só colocar um elástico e uma sacola de compras no bagageiro ou pegar uma pequena caixa de papelão no Supermercado e "voilá. Se as compras fosse maiores, podia ir com meus alforjes de viagem.
Uma outra vantagem é a de não precisar deixar a bicicleta desprotegida. Se o Supermercado não tiver um bicicletário, ou eu esquecer a tranca, basta dobrar e colocar a bike no carrinho de compras.
Uma das inusitadas visitas ao SuperMercado
A coisa começou a escalar. Que tal ir ao trabalho mais frequentemente de bicicleta?
Meu percurso é de 23km, algo bem maior do que a maioria dos Paulistanos fazem (em média), mas não pensei duas vezes. Coloquei a dobrável pra girar e descobri que mesmo em dias de chuva, consigo me deslocar de casa para o trabalho de forma mais eficiente que o ônibus.

Em um dia sem trânsito pesado, meu percurso com o ônibus me toma 1:30'. Em dias de chuva, até 2:00'.
Já com a bike, faça chuva, faça sol, com trânsito pesado ou em dia normal, demoro não mais do que 1:00'. 
Parece bobagem, mas economizo 1 hora por dia em deslocamentos. São nada mais, nada menos que 5 horas a mais na semana! 
Isso significa que me sobram 5 horas na semana pra fazer alguma coisa que não conseguia antes...ler mais, por exemplo!

Além de conseguir ir pro trabalho, também realizei um desejo antigo: ir pela primeira fez à Bicicleta/SP.
Havia tempos que tinha essa vontade, mas morando fora da cidade de São Paulo (Cotia/SP), era bem complicado.
Com a facilidade de poder leva-la dobrada dentro do Trem/Metrô, poderia sair de Barueri/SP (onde trabalho) e me deslocar até a Av. Paulista sempre que quisesse!

Minha primeira Bicicletada (e meu primeiro Intermodal Urbano) em 31/03.
Eu, no centro da foto em minha primeira Bicicletada em 31/03!
E foi justamente nessa Bicicletada que tive o prazer de conhecer a Michele Mamede.
Ela, feliz proprietária de uma dobrável, já tinha feito Cicloviagens e um Audax 200k em Rio das Ostras/RJ. Um bocado de conversa e ela acabou convencendo a fazer o Audax 300k, em RdO.

Mesmo preocupado com a possibilidade de não conseguir (já que tinha rodado só curtas distâncias) acabei aceitando o desafio.

Foi uma experiência e tanto, pois nunca poderia imaginar que uma bike relativamente simples pudesse vencer um desafio tão duro quando uma prova de longa distância.
Para ter uma ideia da agilidade e versatilidade da bike, os 300km que tinham de ser percorridos em 20hrs, foram vencidas em 17:30'00".
Com uma bolsa de guidão e uma bolsa no bagageiro.

E foi assim que, com um pouco mais de 1 mês de uso, a bicicleta de uso urbano duplicou a quilometragem rodada até então e ganhou status de "Randonneur". E no final da prova, a minha mente "cicloturística" aventou outra possibilidade de uso: cicloviagens.


É claro que, para tal uso, eu precisaria fazer algumas modificações...
Foi aí que iniciei um pequeno projeto de "adequação" da dobrável:  Troquei o bagageiro traseiro por um mais alto, afim de que fosse possível usar alforges maiores, instalei um bagageiro dianteiro pra ajudar a compensar o excesso de peso na traseira e alterei a relação original, que era 13/28 7v para 11/32 8v.
Sem os Alforges...
Com os Alforjes!
As alterações me fizeram ganhar maior autonomia de carga (45L Alforje traseiro, 9L TopRack dianteiro e 12L Bolsa de Guidão), além de melhorar o giro, já que ganhei uma marcha mais leve (32T) e uma mais pesada (11T). Senti que agora era possível encarar uma cicloviagem sem sofrer!

A alteração me deixou animado, mas demorou um pouco para consegui marcar uma Cicloviagem Intermodal: Guaratinguetá/Cunha/Paraty.

Sai de minha casa e pedalei até o Metrô Butantã, segui com a bike dobrada até o Metrô Tietê, embarquei num ônibus para Guaratinguetá e de lá, segui (acompanhado pela queridíssima Verônica Mambrini) até Cunha e depois, finalmente até Paraty, passando pelo famoso trecho de estrada de terra, num dia chuvoso!
Mais emoção, impossível!
No trecho muito bem asfaltado...
E na estrada de terra, com muitos buracos e lama!
Foi uma viagem e tanto! Expor uma bicicleta de uso urbano a um ambiente como esse foi um desafio divertidíssimo!
É claro que tive de seguir com muita cautela, já que as rodinhas pequenas poderiam ser facilmente engolidas por qualquer buraco e me causar uma queda ou algum outro problema.
De qualquer maneira, a bike se saiu muito bem! Melhor do que imaginava, inclusive.

De volta da viagem, quando imaginei que iria sossegar de alterações, descobri um blog de um casal que estava viajando com Bromptons (outro modelo de bicicleta dobrável): Path Less Pedaled.
Nesse blog, vi que eles usavam mochilas cargueiras presas ao bagageiro (original) da Brompton.

Isso me inspirou a tentar fazer o mesmo.
Consegui uma barra chata de alumínio, cortei em um comprimento que julguei adequado, reinstalei o bagageiro original e...voilá!
Mochila "ancorada" no bagageiro e no selim.
Com essa nova configuração, fiz um Ciclopasseio com dois caríssimos amigos: Waldson e Maurício Kamal entre Guararema/Sabaúna/Mogi das Cruzes, também no esquema intermodal.

Essa configuração me fez dispensar o uso dos alforjes, dando preferência para a mochila,  já que essa aí é a que uso no dia-a-dia.
Chega de ficar trocando minhas "tralhas" da mochila para o alforje e vice-versa!

E se vocês acham que isso é tudo, tenho feito muito mais: Tenho ido ao Shopping, ao Cinema, a Bares e até em Festas com a dobrável.
Ao que me parece, hoje não há onde ela não seja bem aceita!!!

Enfim...quase um ano de uso e mais de 2500km rodados, posso afirmar que as dobráveis são simplesmente fantásticas: Uma bike que num primeiro momento pode parecer frágil ou limitada, mostrou-se muito mais versátil do que se poderia imaginar.
Minha vida ganhou muito mais agilidade, tranquilidade, saúde e diversão, tudo por conta de (mais) uma bicicleta!
No fim das contas, acho que só tenho uma coisa a reclamar: minhas outras bikes devem estar com ciúmes!

Abraço e até mais!